quinta-feira, 14 de maio de 2026
- Não te esqueças de levar contigo uma cor luminosa de céu! - olho-te e dizemos até já que é assim que a distância se encurta, o tempo é outro, a alegria renasce um pouco em cada dia, as palavras se espalham pelo jardim mais próximo e talvez uma criança as guarde para brincar com elas no prato da sopa.
quarta-feira, 13 de maio de 2026
A ciência vive da observação laboratorial e das experimentações clínicas. Estuda, discute e apresenta resultados. Todos os dias, a ciência faz milagres. Cura doenças, alivia dores, prolonga a vida, propõe novas abordagens. E a poesia? A poesia faz companhia, conversa com o leitor, partilha a beleza do pensamento e do sentimento para além das palavras e do olhar do nosso rosto. Digamos que a ciência e a poesia são cúmplices no dom da cura, uma do corpo, outra dos afetos e do espírito.
terça-feira, 12 de maio de 2026
Quem és tu? Estamos (quase) frente a frente ('só' com o ecrã entre nós, tempo e espaço...). Se calhar, conhecemo-nos ou pensamos que nos conhecemos... ou somos completamente desconhecidos um do outro...ou mais eu de ti do que tu de mim...Devemos ter a forma humana. As nossas cabeças poderiam ser fósseis conforme a idade com uma sobreposição de camadas sucessivas ou uma cebola a desenvolver-se, mas não são. E também não somos só cabeça, com toda a nossa capacidade cerebral, porque sabemos que quando separam a cabeça de um corpo não se sobrevive. Precisamos da cabeça e do tronco (às árvores basta-lhes temporariamente o tronco...). Também não somos máquinas feitas de peças que encaixam, porque a nossa energia que nos move é diferente, é mais misteriosa...ainda que o desgaste da nossa matéria física densa seja visível com o estilo de vida e a inevitabilidade do tempo...Então, afinal, quem somos nós sem o nosso equipamento biológico?
segunda-feira, 11 de maio de 2026
Quem ouve, quem lê ou observa o ato criativo/interpretativo, também o recria e assim se transforma em criador. Somos todos, em última análise, criadores a partir da contemplação que fazemos da realidade criativa, porque nos deixamos tocar por ela e vivemos essa experiência do único, do original, da beleza da (re)criação.
domingo, 10 de maio de 2026
Quando o dia termina, recordamos o que se passou e o descanso ainda tarda...ficamos parados, mas a nossa mente vagueia sem freio. Experientes dessas situações, queremos acalmá-la para podermos descansar, mas a excitação em que estivemos não quer abrandar. E passeamos por diferentes lugares, às vezes longínquos, ora no antes, ora no depois... Ainda não sonolentos e se prestarmos atenção à nossa atividade mental e emocional, a consciência aparece e acompanha-nos na reflexão. E até ajuizamos, fazemos planos de correção, de melhoramento, de novas abordagens, de autosatisfação, de auto e heteroavaliação (até parece que estou a falar como docente...)... Sermos conscientes é viver para além do imediato, questionar para fazer opções, estar presente e participar com ação e atitude.
sábado, 9 de maio de 2026
Estamos submersos nos nossos referenciais: a pessoa que vamos sendo, as nossas experiências desde que nascemos, as nossas ocupações, as pessoas mais próximas, a nossa cultura familiar, os nossos valores...Tentamos compreender o grau de liberdade individual que temos...Se não fôssemos a pessoa que somos, quem gostaríamos de ser? Como gostaríamos de ser? À nossa consciência chegam apenas fragmentos da realidade...Para além do quarto onde estou, do apartamento onde estou, da rua onde estou, do conselho onde estou, do país onde estou, há outros espaços onde o tempo e o espaço é simultâneo (ou não...) e a vida é diversa, mas eu não estou a ter-lhes acesso...ainda que as novas tecnologias, limitadamente, nos possam fazer chegar um pouco dessas realidades...Será que nos queremos quietos e calados, como se fôssemos de material inerte...não perscrutadores? O que é mais belo na vida para ti?
sexta-feira, 8 de maio de 2026
Somos ritualistas da comoção. Na arte, nascemos do tempo interior, não apressado, para sentir e compreender a realidade que existe para além do que os nossos olhos veem e a nossa razão compreende...Na vida, temos o fado: um passeio solitário ou partilhado por entre o quotidiano vivido, com silêncio e som, pensamentos, palavras e gestos. A complexidade da existência escapa àqueles que não sabem ouvir a voz do silêncio.
quinta-feira, 7 de maio de 2026
quarta-feira, 6 de maio de 2026
As ações e decisões deste presente irão reverberar no futuro que se tornará presente. O idioma que usamos para comunicar é um lugar e um tempo. É a nossa identidade. A história da escrita é também a escrita da história, porque é a matéria-prima dela. O ser humano procura fazer caminho, procura entender toda a realidade que consegue, pela leitura do presente, do passado e procura sinais que o orientem na leitura de um caminho futuro. A língua portuguesa é o poema coletivo em permanente florescimento ao longo da história cantado por todos aqueles que o vivem e o partilham.
terça-feira, 5 de maio de 2026
Sentarmo-nos um bocado ao fim da tarde numa esplanada. Depende do local, mas com certeza já tem passado uma ou outra ambulância em marcha de emergência. Quem será, pensamos. Numa dessas idas ao hospital com a minha mãe, ela disse-me: - Prepara-te, filha. - Eu sorri-lhe, como quem diz, ...eu é que sou a preocupação?! Agora estou aqui a pensar por escrito... Às vezes é preciso ligar a sirene de urgência quando é preciso. Com algum esforço, pois. Abrandar a espiral dos pensamentos e despertar a vontade de agir que há em nós. E se o resultado da ação for bom, oferecer ou saber receber um obrigado.
domingo, 3 de maio de 2026
sábado, 2 de maio de 2026
Fastread poetry
Macias
são as tuas palavras
poeta escritor
mesmo quando
falas de tormentos
deitas sonhos à terra
húmus ao nosso sapal
fluidez ao pensamento
fluxo à consciência
fazes crescer a vontade
de cantar construir.
Cantadas
bebidas sofregamente
em noite de partilha
as palavras adivinhadas
na voz dos que te
admiram e cantam
Pessoa Florbela Natália
Camões O'Neil Eugénio
e tantos outros...
Quais aves migratórias
a comermos para aprender
e a ver como comer
naquela fome de crescer...
sexta-feira, 1 de maio de 2026
Entre a linha do tempo de cada dia e é já 1º de maio...O trabalhador pode ser cantado pelas mãos de um fadista cansado, dedicado, quer ele cante ou não, a reviver mais uma vez o sonho pela poesia. Um gráfico de palavras sentidas, umas mais graves, outras mais agudas...cordas que prendem e que soltam...sintonia de caminhos num diapasão a vibrar em cada ouvido humano. Somos páginas de jornais, de diários comovidos, quase programa discreto da rádio Amália...trabalhadores, cada um à sua maneira, a ilustrar subidas e descidas das taxas de esforço que a vida contém. Despesas e dívidas com idade. Gráficos da bolsa desenhados a gestos suplicantes. Variações climáticas e gastronómicas. Um turbilhão de emoções. Quem explica: a poesia ao som das guitarras amigas. Retas e curvas de cada história. A subir e a descer. Às vezes, aos solavancos. Equação popular. Assim se cumpre o trabalho de cada sonhador fadista.
quinta-feira, 30 de abril de 2026
Está frio. À janela fechada do meu quarto, poiso os cotovelos no parapeito de mármore, e olho algumas estrelas, a lua, tímidas, menos visíveis por entre o escuro nublado do céu. Converso comigo. Procuro, com certa dificuldade, alguma constelação visível...aquela será a ursa maior, ali provavelmente áries...de repente...uma brilhantíssima guitarra portuguesa?? E ao som de um dedilhado pungente de um fado português, acordo abruptamente, meio confusa......
quarta-feira, 29 de abril de 2026
Quantas selfies já tiraste? Será que com a idade ficamos mais bonitos? Eu não sou psicóloga, mas gosto de ler, observar e refletir sobre estes e outros fenómenos. Cada caso é um caso. Há pessoas que não gostam de tirar fotografias. Cada um com as suas razões. As boas são as melhores. E as que tiram, porque o farão? Carência afetiva? Várias serão as razões...para não ser aniquilada? Não falar, não pensar, não se mostrar, não partilhar, não se revelar, não ensinar nem aprender...Nós também somos arte. Conjunto de traços, sombras, cor e luz, mistério e segredo, cumplicidade, verdades, controvérsia, história, geografia corporal, composição, adereços, poesia, imaginação...Quem tem medo de lembrar ou ser lembrado, não tira fotografias. Quem duvida demais, não arrisca. E uma foto a cantar (como se se ouvisse a voz), qual é o interesse? Não é provocação ou pura exibição, no meu entender, apenas um bom motivo para exercício mental ou de alguma procura...Somos seres de comunicação, senão definhamos.
terça-feira, 28 de abril de 2026
O que é uma flor? Independentemente da(s) sua(s) cor(es) e tamanho, nós desenhamos mentalmente as pétalas, belas e macias, como se fossem tenros dedos disponíveis para receberem o sol, as abelhas...e como desenhar a flor do figo, que está no próprio figo? Nem todas as flores são como o malmequer que se dispõe aos nossos caprichos ao ser um ramo bonito, uma jarra florida, ou simplesmente um caduco oráculo sentimental: malmequer, bemmequer, malmequer, bemmequer...A flor não é o fruto mas dá fruto. E a sua forma é fruto do processo natural. Se se tratasse de um objeto artificial, se fosse uma bola feita por nós, seria bola se não fosse redonda? Pensemos: qual é a essência de uma bola?
segunda-feira, 27 de abril de 2026
Vamos escavar a ver se encontramos achados arqueológicos. O que é antigo é bom? A evolução, à partida, é boa. Crescer. Descobrir. Desenvolver. Repensar. Mas só nos conhecemos hoje com ajuda da memória e dos vestígios que nos ajudam a reconstruir memórias. A sabedoria antiga revela-se, muitas vezes, atual e inspiradora. Já a ciência beneficia muito com a investigação através dos tempos e melhora com as suas descobertas e experimentações. O ser humano tem-se desenvolvido física, mental e socialmente. E emocionalmente? E eticamente? E espiritualmente?
domingo, 26 de abril de 2026
A geometria do olhar - o espaço e o tempo unificam as relações. O calendário diz-nos o dia e o mês: 25 de abril. O sol não tem pressa e deixa-nos contemplar as linhas imaginárias que dividem e unem...Repara: geometrias em cada lugar, em cada corpo, em cada rosto, em cada sorriso, a liberdade dos cabelos, dos gestos, dos instantes, das sombras, da luz...Que horas são aí desse lado do ecrã? Transformação espaço-tempo das imagens, das palavras, do olhar, dos pensamentos, dos sentimentos...Abril geometrias mil.
sexta-feira, 24 de abril de 2026
24 de abril. Véspera do dia da revolução dos cravos. Vencemos o autoritarismo e a ignorância. A sociedade só é verdadeira se for plural para crescer. Cabemos todos, porque o mundo bem gerido, chega e sobra. Com igualdade e fraternidade. Esta ousadia de sermos sociedade só é possível pela partilha e pela cooperação. E as relações humanas, que não são fáceis, são o cerne do crescimento, do desenvolvimento e da maturidade na prática dos valores universais. O conhecimento encurtou distâncias, com ajuda do progresso. Os fluxos vão acontecendo. Sejamos membros ativos, cidadãos do mundo com direitos e deveres. Liberdade com responsabilidade. A conquista desejada é a boa convivência, a cooperação e a construção de novas ideias congregadoras e humanistas. Respeitemo-nos.
quinta-feira, 23 de abril de 2026
Tens as estantes sobrecarregadas de livros, dossiês, pastas, papéis, alguns que já nem te lembravas deles? Ou pensavas que os tinhas deitado fora ou oferecido? Do caos nasce a luz e a ordem facilita muito...diria mesmo que é crucial (alguma) ordem para a nossa saúde mental e física. Às vezes, o ato de arrumar desarruma-nos os lugares já cativos de certos objetos inestimáveis, mas com paciência e determinação acabamos por ganhar com isso. E a arrumação no computador? Ah, pois, também é um mundo complicado...Será que o teu armário também precisa de arrumação? E os teus pensamentos...? Não há dúvida que precisamos de encontrar o nosso lugar no mundo, arrumar o nosso ser, periodicamente zelarmos por isso e, em grupo, (re)pensarmos o nosso lugar no universo.
quarta-feira, 22 de abril de 2026
Brindemos à verdade! Sabemos que a verdade pode assumir diferentes modos, ser vista de diferentes perspetivas, pode ser finita ou infinita, existir na matemática ou no mito, dentro ou fora de nós, mas é o grande objetivo do conhecimento humano. A verdade nos factos, nos símbolos, nos sentimentos, nos rituais, nas palavras, na arte... Toma um bolo e um copo para ti, tenho aqui também para mim, toquemos os copos, que é o momento simples de eleição que simboliza a partilha da celebração: À verdade!
terça-feira, 21 de abril de 2026
A memória é uma vitória contra o esquecimento. Ainda me lembro de me olhar ao espelho e de ver o meu rosto com a pele completamente lisa (não foi há muito tempo...). Em alguns momentos, sentimo-nos tão absorvidos no momento presente e o tempo fica tão denso que parece eterno. A pintar. A escrever. A cantar. A conversar. Este esfumar do fluxo temporal é (quase) uma experiência da eternidade. A consciência ganha densidade. Somos a pintura enquanto pintamos. Somos as palavras enquanto escrevemos, falamos ou ouvimos. Somos a música enquanto cantamos. Somos o pensamento enquanto refletimos. Somos o amor enquanto experimentamos esse sentimento. A eternidade não é só o prolongamento do tempo até ao infinito. É sobretudo o acontecimento de ser eterno no tempo. Somos esses momentos eternos que têm uma energia tal que ultrapassam o tempo e o espaço.
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