a batuta do olhar
sexta-feira, 23 de outubro de 2026
O fado é um desabafo da alma, como se ela respirasse, ao partilhar o sentimento íntimo da vontade. O fado também é registo. Cantado ao vivo é aquele momento único vivenciado entre quem canta e quem ouve e só a memória fixa (um tanto...) aquele momento fugaz, mas intenso. O mesmo fado cantado pelo mesmo fadista em momentos diferentes, não é exatamente o mesmo, porque o fado vive da intensidade e do sentimento do momento. Nesse encontro, há a liberdade de nada se esgotar em si mesmo e de ser um imenso caminho para o não-tempo. O mundo natural é apenas o humano cenário na viagem eterna do fado.
quinta-feira, 22 de outubro de 2026
A vida é uma aventura do conhecimento e do reconhecimento. A alegria ou boa disposição, seja serena ou exuberante, vem da experiência de conhecer e reconhecer as coisas e as pessoas e do reconhecimento de quem somos. Às vezes, somos aprendizes de filósofos e o filósofo nunca é um aposentado porque é um empreendedor da verdade, na relação de interajuda e de partilha de vivências. Que surpreendente esta revisitação a Lisboa e a esta amizade antiga!
quarta-feira, 21 de outubro de 2026
Fastread poetry
Senta-te aqui comigo, folhinha
já que estás um pouco cansada
de estares aí mal dependurada
nessa árvore simpática simples
a receber este outono a lançar
os seus braços ao sabor do vento
traz muitas outras que há lugar
neste banco de jardim solto
que espera alguém que o olhe
e o queira envelhecido assim
talvez um pouco triste todo
capaz de nos acolher a todas
pequeninas folhas já amarelas
castanhas p'lo perfume do tempo.
terça-feira, 20 de outubro de 2026
O que vês? Se já tocaste à campainha, não devias espreitar para dentro de casa...achas que não te querem abrir a porta? Este lugar é sossegado e hoje está um bonito dia de sol. Queres parar de espreitares aí para dentro?! O que vês, afinal? Deixa-me ver...Estou encandeada aqui pelo exterior...que penumbra...acho que se ouve qualquer coisa lá dentro...espera...passos ao de leve...(clic)...ah?! Vamos embora...acho que fotografaram o meu olho pela fechadura. É para não sermos bisbilhoteiras, Big Sisters...
segunda-feira, 19 de outubro de 2026
«Somos condenados a ser livres» escreveu Sartre. «O Homem condenado a ser Deus» escreveu Félix Bermudes, a propósito da conquista do eterno. Decidir é o ato quotidiano do ser humano, apesar das muitas pequenas escolhas habituais maquinais no quotidiano. Muitas vezes, somos mesmo forçados às decisões. A nossa liberdade nem sempre é uma escolha...A vida é uma comédia ou um drama? Quando é que é um, quando é que é o outro? Podemos rir e chorar ao mesmo tempo? É bom ou é mau ou nem por isso? O teatro ou o cinema? A ciência ou a transcendência? Somos o eu e o outro, a aprendermos a ser encenadores do nosso próprio espetáculo, que é a vida aquém e além fronteiras corporais e filosóficas.
domingo, 18 de outubro de 2026
Como gostamos de comunicar? Somos constantemente surpreendidos pela diversidade das linguagens, humanas e não humanas. Cada um de nós (ainda) é um mistério. Somos a herança cultural e tudo o resto no reconhecimento do outro. O que nos quer transmitir um trabalho arquitetónico? Ou um espaço de lazer e de convívio? E um determinado instrumento musical? Como seres em permanente formação e evolução, estamos sempre a aprender na nossa relação com os outros e com o mundo. E estamos sempre a descobrir novas abordagens e outras linguagens num ato grupal, simultaneamente de provocação e integração. Queremos manter vivas as nossas provas de vida. Estivemos aqui um dia e deixámos isto para ti. Ou continuo aqui contigo, okay?
sábado, 17 de outubro de 2026
Entre nós e o fado existe uma reciprocidade: cada um pode entregar-se à intensidade desta música e essa linguagem entrega-se a cada um de nós. O fado ensina-nos o silêncio (tão importante), a ouvir, a cantar, a partilhar os momentos de convívio, a saudade quando nos ausentamos dele...mas, no fundo, está no nosso quotidiano, com todo o tipo de estímulos, apenas o temos que reconhecer nas suas expressões diversas e, sobretudo, na gente mais simples e humilde, nas crianças, nos idosos, nos animais, no amor à natureza e ao próximo, nos dias bons e menos bons, na aceitação de cada ser que dialoga com a melodia da nossa guitarra mais sincera e confidente.
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