Na Associação Cultural e Desportiva da Quinta do Bau-Bau, 18 de julho de 2026
a batuta do olhar
domingo, 19 de julho de 2026
Cantar é orar duas vezes. Quem nos fez assim, e aos passarinhos, sabia o que estava a fazer...Se surgimos há vários biliões de anos, quando as moléculas à base de carbono criaram um micro-organismo autorreplicante, só podia ter surgido nos mares primitivos da Terra. Onde o fado, um dia, muito muito depois, viria a ser o canto dos marinheiros e das sereias. E só uma inteligência criadora do universo seria capaz de favorecer tal desígnio naturalmente tão pouco provável de acontecer: o nascimento da humanidade. Por isso, cantar é orar, agradecer a Deus o amor que o fado nos traz e, também, o ciúme, a aprendizagem, a fraternidade, o destino.
sábado, 18 de julho de 2026
A dificuldade em escolher. As escolhas do dia a dia nem sempre são muito importantes, mas há aquelas decisões aparentemente pouco significativas e à sua escala podem comprometer a sobrevivência do planeta ou a qualidade de vida de cada um...e não podemos escapar à responsabilidade de descobrirmos, cada um de nós, o seu papel no lugar onde vive, na comunidade onde está inserido, na sua humanidade. E não refletir apenas sobre isso quando for (mais) velho ou tiver um pouco mais de tempo. A maturidade não é (só) alcançada pela idade, mas pela educação e pelo exemplo dos mais próximos. Bom fim de semana.
sexta-feira, 17 de julho de 2026
A ampulheta do tempo não para. Mais um encontro de fado com sorrisos e trejeitos. A música é uma arte criada pela vontade humana. A sociedade é uma invenção ousada da vontade humana. A partilha, a cooperação e as interações são, sempre que as pessoas o decidem, suportes de crescimento individual e grupal. A transparência e a comunicação diversa são as melhores opções, desde que não haja propósitos de atrapalhar ou dissuadir. O fado é amor, ciúme, despeito, respeito, engano, verdade, mentiras, sonhos, desilusões, união, repressão...em que todos entramos e contamos, Todos temos valor. A verdade é o verso mais bonito de qualquer fado.
quinta-feira, 16 de julho de 2026
Uma turra! Quando olhamos dois gatinhos a acarinharem-se, o que é que sentimos? Estes gatinhos pretos passam o dia na rua. São respeitados e alimentados pela vizinhança. Há tranquilidade nestes dois seres. Sentimo-nos igualmente tranquilos de corpo e alma a olhá-los. É com a alma tranquila que experimentamos alguma coisa parecida com a felicidade. Porque a felicidade não é a soma dos prazeres e da riqueza, mas o estado de espírito de nos reconhecermos, de nos cumprirmos. Apesar da dor, podemos ser felizes ao atingirmos o cume de uma montanha ou simplesmente a dar de comer a dois negros gatinhos no meio da rua. Encontrar a serenidade dentro de si.
quarta-feira, 15 de julho de 2026
Há sempre novidades à nossa espera. Não é só no supermercado, ou nos programas da tv, ou nos resultados do futebol...Podem ser simples gracinhas da nossa criança ou do nosso animal de estimação, uma coloração mais rosada no céu ao fim da tarde, uma planta mais crescida que semeámos, um novo espetáculo no cinema ou no teatro, um novo livro no site da editora...Claro que as novidades nem sempre são boas, mas nós associamos (gostamos de associar) a palavra novidade (notícia nova) a coisas boas. Eu também gosto. Na história da humanidade também temos introduzido a novidade: do analfabetismo para a literacia, da superstição para a revelação, do mito para a filosofia, do trabalho manual para a industrialização, da ignorância para a disseminação da informação, da era do papel para a informatização, da repressão para a democracia...A novidade pode introduzir a festa...
terça-feira, 14 de julho de 2026
Eu nasci em casa. Não foi neste prédio da fotografia, mas qualquer casa é boa para nascer, ainda que o melhor seja numa maternidade. Onde comecei a falar? Provavelmente também em casa, porque o começo da fala é, como sabemos, um processo muito gradual nos primeiros meses e anos de vida. Mas que nascemos com uma disposição natural para sermos gramáticos, é verdade. Vamos aprendendo a combinar sons e sílabas, de início sem sentido, e depois vamos formando palavras significantes. Ou seja, somos seres portadores de um património de comunicação. Pelos vistos, os únicos seres com tal património de comunicação. Há quem diga que no futuro nem precisaremos de articular as palavras e emitir sons para verbalizar porque teremos a capacidade de ler/interpretar os outros e comunicar mentalmente com outros falantes...Sem silêncio não há som. Sem locução pode um dia continuar a haver fala?
segunda-feira, 13 de julho de 2026
Ao contemplar a beleza do mundo, diluímos a nossa individualidade, abstraímo-nos de nós próprios e imergimos no quadro natural que os nossos olhos reproduzem na nossa mente. Será que conseguimos permanecer no estado de perceção pura, de captação do indizível, numa expansão de consciência e ligação com a beleza mais subtil? O génio de espírito artístico consegue numa linguagem artística escolhida dar a sua visão da realidade, que pode ser apenas a captação de momentos fugazes. É a liberdade de ousar a eternidade.
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