sábado, 23 de maio de 2026

Fastread poetry

 Foi ontem ao fim da tarde.

Cumprimentámo-nos com alegria.

Estamos um pouquito diferentes...pois,

para melhor, claro. Dizemos com sorrisos. 

Sentámo-nos aos poucos sem lugares marcados.

E já sentados à mesa continuámos a conversar.

Já lá vai um ano, pois, como o tempo passa.

O tempo é sempre um TGV e um bom tópico

sobre o calor que está, mais as memórias de celeiro.

Algumas turmas, o quotidiano, visitas de estudo...

E que tal a saúde? Ah, boa, uns episódios a acrescentar.

Estamos animados, uns mais novos do que outros...

O que tens feito? Ideias não faltam, sonhos duradouros...

Muito trabalho alguma cultura alguma liberdade reformas 

Muitos a família a ginástica as leituras a hora de jantar.

Há música nas vozes que se misturam em timbres alegres

risos gestos amigos cadeiras em movimento copos em alta

talheres nos pratos braços de alcance nos pratos servidos

Sobremesas coloridas e despedidas. Beijinhos e até breve.

 


                                     Sonhos duradouros/Rosa Maria Duarte/Óleo s/tela/55x46

terça-feira, 19 de maio de 2026

Fastread poetry

 Vês-me aqui ou não és tu?

Estamos talvez em contra-luz

sem nos vermos um ao outro 

Se calhar em contra-mão

Será que estás a contra-gosto

A conversar sobre nada? 

E porque não em contra-capa

no livro da tua difícil vida

que estás para aí a escrever

talvez em forma diarística

um diário da pandemia e

mais um da pós-pandemia

Num debate permanente

Entre ser personagem escrita

Ou apenas narrativa privada

No prédio alto onde escreves

À sombra da palmeira defronte

Em meditação solene ao divino

Estás em saudação ao por-do-sol

E um OM de infinita sonoridade

ligação-regresso à noite silenciosa

A oração à mãe e ao pai do universo.