a batuta do olhar

domingo, 29 de março de 2026

Que agradável que é a Primavera! Hoje é mais um dia em que o Homem mexe no relógio, porque pretende reorganizar o próprio tempo na vida quotidiana...Mas esta nossa tendência de pensar o tempo, de esperar adaptá-lo melhor, é legítima, mas simplesmente circunstancial...porque o tempo (psicológico?) é também um fator limitativo da nossa existência. Mais memórias, mas menos tempo para viver, pelo menos neste percurso de vida...O tempo da consciência tem uma tal plasticidade infinita que nos sentimos a recuperar o tempo perdido...Alguns poetas versejam sobre a transitoriedade e a efemeridade, mas têm consciência de cada aprendizagem, da maturidade, da obra prima divina que é a humanidade. O tempo rouba, ceifa, devora, mas também oferece, dá beleza e sentido a cada passo nos socalcos da caminhada...

 


Publicada por rosa maria duarte à(s) 01:57 Sem comentários:
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sábado, 28 de março de 2026

Somos máquinas? Fabricamo-las. Nós somos, tendencialmente, mais fracos do que muitos seres, mas temos uma linguagem e um pensamento complexos. Por isso, o ser humano é a única espécie (que saibamos, claro) que produz tecnologia. Do ponto de vista biológico, temos a vista fraca, o olfato reduzido, o ouvido limitado, sem garras ou outros acessórios naturais. Muitos animais são mais comunitários...A inteligência humana é social, mas também evolui individualmente. Somos seres de consciência e tal acarreta a responsabilidade acrescida na preservação/construção do bem estar no meio em que vivemos.

 


Publicada por rosa maria duarte à(s) 02:09 Sem comentários:
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sexta-feira, 27 de março de 2026

Estamos sempre a construir geometrias. Quando olhamos, o nosso campo de visão tem uma forma arredonda. Quando cantamos, a nossa voz ora ondeia, ora faz picos montanhosos, os gestos que a acompanham desenham retas ou espirais...É uma linguagem dançante ao som da nossa voz. O movimento distrai, mas é preciso escutar o que é dito. É preciso escutarmos o que dizemos. É preciso escutar também as pausas, reparar nos olhares, no que não é dito...estes silêncios são espaços de meditação, de compreensão, de visualização...Um fado que quer ser a gentileza do pensamento partilhado.

 

                                                         No CRF a 26 de março de 2026


































Publicada por rosa maria duarte à(s) 03:05 Sem comentários:
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quinta-feira, 26 de março de 2026

Olhos nos olhos. Gostamos de falar frente a frente. O som é muito importante como a música ou até os sons na rua para nos ajudarem à orientação e memorização. Mas continuamos a viver de imagem. Há mais imagens sem som ou sons sem imagens? Bem, a rádio é um bom exemplo de sons sem imagem. Mas as imagens e os símbolos também fazem parte do nosso quotidiano. As fotografias. Os desenhos e pinturas. Vivemos num mundo simbólico que nos leva ao reencontro. A representação dos olhos. Podemos falar apenas com os olhos. Reencontramo-nos no olhar do outro. Símbolo do espelho da alma.

 

                                    O teu olhar/Rosa Maria Duarte/Óleo s/tela/55x46

Publicada por rosa maria duarte à(s) 01:05 Sem comentários:
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quarta-feira, 25 de março de 2026

Quem não sabe o que é a conversa da treta? Às vezes, a treta vai além das palavras...A treta é inevitável quando falamos sobre um assunto que não conhecemos. Não somos obrigados a ter uma opinião sobre tudo. Devemos primeiro conhecer, refletir e, se nos sentirmos informados e com uma posição tomada conscientemente, dar uma opinião clara e voluntária. A confiança é um valor inestimável. Só seremos fiéis a nós próprios, se formos fiéis aos factos. Ainda que saibamos que precisamos da criatividade artística para elevarmos a beleza o que muitas vezes é o quotidiano da tirania factual.

 




























Publicada por rosa maria duarte à(s) 03:30 Sem comentários:
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segunda-feira, 23 de março de 2026

Os satélites revolucionaram o mundo...Às vezes ainda me apetece fazer sinais de fumo (gostava de fazer fogueiras) ou por que não tocar um tambor a rufar a rufar para te convidar a ler o que estou a escrever? Porque se eu soubesse montar, iria a cavalo a levar-te, a ti e aos outros, esta mensagem, ou também podia por na caixa do correio, de quantas pessoas?, vários telegramas, ou pedia à rádio Amália para cumprimentar toda a gente por mim, embora (aparentemente) telefonar já não seja tão caro...mas se tenho de pagar à operadora, mande ou não esta mensagem, aqui vai. Seja como for, o progresso não pára. A rádio permitiu inovar com a comunicação para muita gente, na hora, e ajudou a alfabetizar. A televisão ajudou a aumentar esse fenómeno de massas e hoje vivemos agarrados à tecnologia. Mas será que encurtámos verdadeiramente distâncias?

 


Publicada por rosa maria duarte à(s) 02:23 Sem comentários:
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domingo, 22 de março de 2026

Preferes palavras ditas ou palavras cantadas? Ou as duas? Também há fado falado, por exemplo...e vendedores cantores? Bem, a publicidade (também há boa publicidade) nos media abre muitas possibilidades... O certo é que a vida não é um musical. Contudo ser poeta ou escritor é condição que faz parte do nosso quotidiano (também o seremos?) porque, com excelência, trabalham as palavras com enlevo para as dizer/cantar de modo único. Na verdade, qualquer palavra é já um feito na história da humanidade. A palavra poética é então a beleza do pensamento inspirado e fluxo do sentimento lúcido. Conscientes de que nada é verdadeiramente nosso...

 


Publicada por rosa maria duarte à(s) 02:12 Sem comentários:
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Pestanejo ao compasso do sentimento. E penso: como é bom partilhar contigo este riacho de indagações.

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