a batuta do olhar
quinta-feira, 18 de junho de 2026
Aqui a olaria é uma recuperação dos ensinamentos ancestrais. Os objetos úteis ao serviço do homem são tão antigos como a sua história. Mas o poder criativo foi libertando-nos do imediatismo e do utilitarismo. Por isso os artistas, que muitas vezes começaram por ser simples artesãos, criam e criaram formas novas ou reinterpretadas que atribuem significados diferentes às coisas. Apresentam ideias sem as definir. Maravilham-nos com as suas obras sem se preocuparem com regras, normas ou sistematizações. A obra de arte chega aos outros pela sua estética. O trabalho artístico comunica pela sua criatividade, originalidade e beleza.
quarta-feira, 17 de junho de 2026
Dom Vasco da Gama nasceu em Sines, ao que tudo indica. Desbravou caminhos por mar. Não construiu arranha-céus, mas uma história de conquistas, de aventuras e descobertas. Uma sociedade que se construiu e continua a construir por feitos, uns maiores do que outros. A torre de Babel, muito antes dele, foi o primeiro arranha-céus da humanidade, símbolo de ambição, opulência e de fragilidade, ao mesmo tempo. Seremos o povo do 5º império, da partilha, do ecumenismo e da boa convivência entre culturas, povos, idiomas, artes?
segunda-feira, 15 de junho de 2026
Temos rios e temos mar. Somos uns privilegiados! A cor da água é dada pelo fundo, mas também pela claridade do dia. O rio Tejo encontra-se com o oceano Atlântico junto a Lisboa. Antes de se misturar diretamente com o mar, alarga-se e forma um grande estuário natural: o Mar da Palha. Segundo a tradição local, a foz e o ponto exato de transição entre o rio e o mar são assinalados pelo histórico Farol do Bugio. Não estou a olhar nem o rio, nem o mar, porque estou aqui em casa a escrever, mas estou a recordar um passado muito recente. Se conseguimos recordar, é porque a realidade do tempo se inscreve numa outra duração, uma realidade interina que se insere numa realidade eterna...É o tempo denso da reflexão, da contemplação, da criação artística, do deslumbramento, dos sentimentos...
domingo, 14 de junho de 2026
Ontem, na taverna do Zé, almoçámos juntos, cantámos juntos, conversámos juntos mais o santo António. Se a beleza desperta em nós o prazer, então é uma beleza subjetiva, mas se a beleza estiver numa imagem ou num poema musicado, então a beleza é observável, é audível, é objetiva. Ainda que a intensidade do prazer que nos desperta seja sempre subjetivo.
sábado, 13 de junho de 2026
Eis as festividades dos santos. Quem nasceu e cresceu num bairro popular, como eu, sabe que as nossas vivências passaram (ainda passam?) pelo convívio de rua. A nossa história é a nossa identidade, com orgulho, acho. Como pesar o valor dos símbolos pelos quais as sociedades se autointerpretam? A experiência humana apresenta-se como um fluxo de acontecimentos irreversível que cada um vive à sua maneira, mas que tendem a ser revisitados e, até, ritualizados. As experiências de vida moldam-nos e transformam-nos no que fomos, no que somos, no que seremos. Vivemos num mundo com ideias e simbologias transmitidas de geração em geração. E vamos escrevendo a nossa história, porque a nossa vida continua. As ações e decisões presentes irão reverberar no futuro. Agradecer é um ato a preservar. Façamos um brinde ao convívio social. E ao jovem António pela sua humanidade e santidade!
sexta-feira, 12 de junho de 2026
Noite de Santo António. Aquele que falava aos peixes, mas não só...muito amoroso e festivo. A palavra tem o poder de nos abrir o mundo e de construir novos sentidos. Como as metáforas nos seus sermões. Modificamos comportamentos pelas palavras honestas dos outros (não pelas palavras manipuladoras, se não formos descuidados). Festa da palavra-poesia. «Ó meu rico santo António/do amor e do menino/faz milagre do neurónio/do discurso e do sino.»
quarta-feira, 10 de junho de 2026
Será verdade que se pode viver feliz para sempre? Se eu me considerar uma pessoa feliz, serei feliz? Para sempre é até à morte ou para além dela? Nós gostamos das histórias que acabam bem, ou melhor, das histórias que não acabam, apenas não há mais nada a dizer porque tudo continua na mesma, bem e com felicidade. Como num casamento perfeito. Aceite por todos e abençoado pelo divino. A verdade orienta e confirma a realidade. Querer é poder. Mas a realidade não é só o nosso querer. Mesmo a história coletiva é contada de formas distintas porque somos diferentes. Como no fado que é a história da gente. E a história da humanidade é a busca da verdade.
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