a batuta do olhar
terça-feira, 8 de setembro de 2026
É a nossa criatividade que ajuda a nossa consciência a alcançar um estado mais elevado de compreensão para além das simples atividades fisiológicas e mentais. É ela que se indigna com a repetição e com a pobreza de sentido e faz tudo para se libertar da prisão dos factos. O que fazer para ser criativo? Exercitarmos o som, para o ruído ser transformado em música, as palavras serem também liberdade e beleza, a cor pela expressão plástica, o movimento transformado em dança, o espaço e o tempo em arquitetura e testemunhos de memória...O estilo humano pode ser arte, quando a criamos e fruímos.
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Todos precisamos de comunicar, nas mais diversas circunstâncias. Quando um bebé humano nasce, há a expectativa da primeira palavra. É uma alegria. Depois vêm outras e a pouco e pouco a criança vai formando pequenas frases. E os (outros) animais? Os golfinhos, por exemplo. Não usam fonemas ou ditongos, mas através de um sistema sonoro complexo combinam assobios, cliques e estalidos propagados na água a uma velocidade quatro vezes maior do que no ar. Mais: cada golfinho desenvolve um som único nos primeiros anos de vida que funciona como um nome próprio para se identificar e chamar os outros. Impressionante, não é? Emitem sequências de cliques de alta frequência que batem nos objetos e regressam como um eco, para se aperceberem do que está à sua volta e se poderem alimentar. Os golfinhos são comunicativos, à sua maneira, tal como tantos seres vivos. Produzem grasnidos e ruídos variados para coordenar a caça, exprimir emoções, alertar para perigos, manter laços sociais no grupo...Já para não falar da sua elegância, destreza, performance, boa disposição...que até parece que estão sempre a contar gracinhas uns aos outros (e aos seus tratadores) e a rir...
domingo, 6 de setembro de 2026
sábado, 5 de setembro de 2026
A primeira arte: a música. A atenção realça a realidade da consciência, prendendo-nos ao que estamos a ouvir e a ver. A nossa atenção fica absorvida pela beleza musical, pelos sentimentos que inspira, pelas memórias que nos traz, pelos valores estéticos de todo um trabalho de som, cor, luz, decoração, coreografia, interação entre os músicos e cantores, as roupas, os movimentos em palcos, os diálogos...À medida que vamos apreciando o espetáculo, estes aspetos vão tendo cada vez menos importância porque a música nos agrada e não damos pelo tempo passar. Vamos fazendo parte do espetáculo à medida que vão pedindo a nossa participação. A nossa vida ganha significado na relação com os outros. É aprendizagem. Vamo-nos tornando quem somos ao desenvolvermos o nosso caráter. E a música é uma ajuda valiosa.
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
A explosão de consciência. Estamos aqui. Não sabemos, cientificamente falando, o que existia antes da grande explosão no espaço vazio que disseminou a matéria. Mas julgamos saber que foi um pequeno aglomerado de energia que desencadeou a vida no espaço. As estrelas. O nosso sol. O universo é a nossa casa. Olhamos muitíssimo parcialmente para ele, também do alto das montanhas. Que espetáculo belo! Uma casa que, a que tudo indica, demorou cerca de nove biliões de anos a construir, a fazer as estrelas explodir e a fazê-las renascer com capacidade para formarem os elementos necessários...A nossa estrela é quem nos guia.
sábado, 29 de agosto de 2026
Somos animais pensantes? A essência do ser humano passa pelo relação com os outros seres...Cada um de nós é um todo ou os humanos são duas realidades distintas: corpo e alma? E os não humanos...? Uma coisa é certa: os humanos são cosmopolitas, abertos ao mundo. Mais: abertos ao cosmos. Por isso, cada pessoa, na sua condição perscrutadora e mortal, se interroga cada vez mais sobre a sua (in)finitude...
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Quem é que manda nisto tudo? Se queres dar, tens de abdicar de algo. Se queres receber, tens que te desapegar de alguma coisa. Se te queres juntar, tens de deixar de ser o centro do mundo. Para estarmos juntos, temos de saber partilhar e respeitar. Somos insubstituíveis e indispensáveis, mas para aprendermos a dar e a receber temos que ter espaço dentro de nós para a aprendizagem...aprender a receber o silêncio, o som da natureza, o espetáculo de mais um horizonte em contraluz, o regresso a casa, a rua que nos acompanha, a saudação dos vizinhos, a idade que vai avançando...quem é que manda nos nossos pensamentos? quem é que sabe (toda) a verdade?
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