a batuta do olhar
domingo, 21 de junho de 2026
Meus saudosos 20 anos: quando o dia começava logo de manhã a nadar, a almoçar com amigos, a conhecer novos ambientes (brunch eletrónico), a comer e ouvir música dos anos 80 e não só na terreola mais próxima...sem planificações nem justificações, simplesmente a aproveitar o tempo quente das noites de verão...:)
sábado, 20 de junho de 2026
As artes são reconhecidas com base em critérios de excelência, tal como os valores éticos. No entanto, a ética é transversal a todas as áreas do desenvolvimento humano. Desse modo: será melhor haver efetivo respeito entre os seres em geral do que à agressão do ecossistema. Haver a prática dos direitos humanos sem exploradores e explorados. Haver respeito pelas diferentes etnias sem comportamentos racistas. Haver igualdade na valoração do desempenho do homem e da mulher sem conflitos e sofrimento causado pelas desigualdades. Serão suficientes as regras sociais e culturais criadas para encontrar o caminho desejado dos valores?
sexta-feira, 19 de junho de 2026
Baixam-se as luzes. O apresentador acalma o entusiasmo. As palavras desenham o momento. Os olhos dos músicos, dos espetadores, estão aguardando a escolha do fado. Para trás ficaram as afinações das guitarras. Para trás, ficaram os rumores do grupo que se vai aquietando. Acertam-se os tons, a melodia, o compasso. Fazem-se ouvir sucessivos acordes que evocam alguma improvisação na cumplicidade dos três. Da aparente desordem nasce a melodia tradicional. Estamos a escutar o fado. A voz do/a fadista irrompe suave ou energicamente. Em crescendo. Há o compromisso com o poema vestido de notas musicais. Há um enredo cantado do quotidiano. Novo crescendo sentimental que o/a fadista canta com entrega e verdade. Sem silêncio, não há fado. O público não se pode distrair, inventar, mentir. Será crime se o fizer. Somos pequenos deuses na verdade dos sentimentos. Só quem vive o fado e para o fado sabe que ele é mais do que um momento: é a vida de quem partilha dor, alegria, palavras dançantes com a melodia. Só com respeito nasce o fado. Nem egos, nem mexericos. Apenas a humildade de quem se oferece ao fado.
quinta-feira, 18 de junho de 2026
Aqui a olaria é uma recuperação dos ensinamentos ancestrais. Os objetos úteis ao serviço do homem são tão antigos como a sua história. Mas o poder criativo foi libertando-nos do imediatismo e do utilitarismo. Por isso os artistas, que muitas vezes começaram por ser simples artesãos, criam e criaram formas novas ou reinterpretadas que atribuem significados diferentes às coisas. Apresentam ideias sem as definir. Maravilham-nos com as suas obras sem se preocuparem com regras, normas ou sistematizações. A obra de arte chega aos outros pela sua estética. O trabalho artístico comunica pela sua criatividade, originalidade e beleza.
quarta-feira, 17 de junho de 2026
Dom Vasco da Gama nasceu em Sines, ao que tudo indica. Desbravou caminhos por mar. Não construiu arranha-céus, mas uma história de conquistas, de aventuras e descobertas. Uma sociedade que se construiu e continua a construir por feitos, uns maiores do que outros. A torre de Babel, muito antes dele, foi o primeiro arranha-céus da humanidade, símbolo de ambição, opulência e de fragilidade, ao mesmo tempo. Seremos o povo do 5º império, da partilha, do ecumenismo e da boa convivência entre culturas, povos, idiomas, artes?
segunda-feira, 15 de junho de 2026
Temos rios e temos mar. Somos uns privilegiados! A cor da água é dada pelo fundo, mas também pela claridade do dia. O rio Tejo encontra-se com o oceano Atlântico junto a Lisboa. Antes de se misturar diretamente com o mar, alarga-se e forma um grande estuário natural: o Mar da Palha. Segundo a tradição local, a foz e o ponto exato de transição entre o rio e o mar são assinalados pelo histórico Farol do Bugio. Não estou a olhar nem o rio, nem o mar, porque estou aqui em casa a escrever, mas estou a recordar um passado muito recente. Se conseguimos recordar, é porque a realidade do tempo se inscreve numa outra duração, uma realidade interina que se insere numa realidade eterna...É o tempo denso da reflexão, da contemplação, da criação artística, do deslumbramento, dos sentimentos...
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