a batuta do olhar
terça-feira, 12 de maio de 2026
Quem és tu? Estamos (quase) frente a frente ('só' com o ecrã entre nós, tempo e espaço...). Se calhar, conhecemo-nos ou pensamos que nos conhecemos... ou somos completamente desconhecidos um do outro...ou mais eu de ti do que tu de mim...Devemos ter a forma humana. As nossas cabeças poderiam ser fósseis conforme a idade com uma sobreposição de camadas sucessivas ou uma cebola a desenvolver-se, mas não são. E também não somos só cabeça, com toda a nossa capacidade cerebral, porque sabemos que quando separam a cabeça de um corpo não se sobrevive. Precisamos da cabeça e do tronco (às árvores basta-lhes temporariamente o tronco...). Também não somos máquinas feitas de peças que encaixam, porque a nossa energia que nos move é diferente, é mais misteriosa...ainda que o desgaste da nossa matéria física densa seja visível com o estilo de vida e a inevitabilidade do tempo...Então, afinal, quem somos nós sem o nosso equipamento biológico?
segunda-feira, 11 de maio de 2026
Quem ouve, quem lê ou observa o ato criativo/interpretativo, também o recria e assim se transforma em criador. Somos todos, em última análise, criadores a partir da contemplação que fazemos da realidade criativa, porque nos deixamos tocar por ela e vivemos essa experiência do único, do original, da beleza da (re)criação.
domingo, 10 de maio de 2026
Quando o dia termina, recordamos o que se passou e o descanso ainda tarda...ficamos parados, mas a nossa mente vagueia sem freio. Experientes dessas situações, queremos acalmá-la para podermos descansar, mas a excitação em que estivemos não quer abrandar. E passeamos por diferentes lugares, às vezes longínquos, ora no antes, ora no depois... Ainda não sonolentos e se prestarmos atenção à nossa atividade mental e emocional, a consciência aparece e acompanha-nos na reflexão. E até ajuizamos, fazemos planos de correção, de melhoramento, de novas abordagens, de autosatisfação, de auto e heteroavaliação (até parece que estou a falar como docente...)... Sermos conscientes é viver para além do imediato, questionar para fazer opções, estar presente e participar com ação e atitude.
sábado, 9 de maio de 2026
Estamos submersos nos nossos referenciais: a pessoa que vamos sendo, as nossas experiências desde que nascemos, as nossas ocupações, as pessoas mais próximas, a nossa cultura familiar, os nossos valores...Tentamos compreender o grau de liberdade individual que temos...Se não fôssemos a pessoa que somos, quem gostaríamos de ser? Como gostaríamos de ser? À nossa consciência chegam apenas fragmentos da realidade...Para além do quarto onde estou, do apartamento onde estou, da rua onde estou, do conselho onde estou, do país onde estou, há outros espaços onde o tempo e o espaço é simultâneo (ou não...) e a vida é diversa, mas eu não estou a ter-lhes acesso...ainda que as novas tecnologias, limitadamente, nos possam fazer chegar um pouco dessas realidades...Será que nos queremos quietos e calados, como se fôssemos de material inerte...não perscrutadores? O que é mais belo na vida para ti?
sexta-feira, 8 de maio de 2026
Somos ritualistas da comoção. Na arte, nascemos do tempo interior, não apressado, para sentir e compreender a realidade que existe para além do que os nossos olhos veem e a nossa razão compreende...Na vida, temos o fado: um passeio solitário ou partilhado por entre o quotidiano vivido, com silêncio e som, pensamentos, palavras e gestos. A complexidade da existência escapa àqueles que não sabem ouvir a voz do silêncio.
quinta-feira, 7 de maio de 2026
quarta-feira, 6 de maio de 2026
As ações e decisões deste presente irão reverberar no futuro que se tornará presente. O idioma que usamos para comunicar é um lugar e um tempo. É a nossa identidade. A história da escrita é também a escrita da história, porque é a matéria-prima dela. O ser humano procura fazer caminho, procura entender toda a realidade que consegue, pela leitura do presente, do passado e procura sinais que o orientem na leitura de um caminho futuro. A língua portuguesa é o poema coletivo em permanente florescimento ao longo da história cantado por todos aqueles que o vivem e o partilham.
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