a batuta do olhar
domingo, 10 de maio de 2026
Quando o dia termina, recordamos o que se passou e o descanso ainda tarda...ficamos parados, mas a nossa mente vagueia sem freio. Experientes dessas situações, queremos acalmá-la para podermos descansar, mas a excitação em que estivemos não quer abrandar. E passeamos por diferentes lugares, às vezes longínquos, ora no antes, ora no depois... Ainda não sonolentos e se prestarmos atenção à nossa atividade mental e emocional, a consciência aparece e acompanha-nos na reflexão. E até ajuizamos, fazemos planos de correção, de melhoramento, de novas abordagens, de autosatisfação, de auto e heteroavaliação (até parece que estou a falar como docente...)... Sermos conscientes é viver para além do imediato, questionar para fazer opções, estar presente e participar com ação e atitude.
sábado, 9 de maio de 2026
Estamos submersos nos nossos referenciais: a pessoa que vamos sendo, as nossas experiências desde que nascemos, as nossas ocupações, as pessoas mais próximas, a nossa cultura familiar, os nossos valores...Tentamos compreender o grau de liberdade individual que temos...Se não fôssemos a pessoa que somos, quem gostaríamos de ser? Como gostaríamos de ser? À nossa consciência chegam apenas fragmentos da realidade...Para além do quarto onde estou, do apartamento onde estou, da rua onde estou, do conselho onde estou, do país onde estou, há outros espaços onde o tempo e o espaço é simultâneo (ou não...) e a vida é diversa, mas eu não estou a ter-lhes acesso...ainda que as novas tecnologias, limitadamente, nos possam fazer chegar um pouco dessas realidades...Será que nos queremos quietos e calados, como se fôssemos de material inerte...não perscrutadores? O que é mais belo na vida para ti?
sexta-feira, 8 de maio de 2026
Somos ritualistas da comoção. Na arte, nascemos do tempo interior, não apressado, para sentir e compreender a realidade que existe para além do que os nossos olhos veem e a nossa razão compreende...Na vida, temos o fado: um passeio solitário ou partilhado por entre o quotidiano vivido, com silêncio e som, pensamentos, palavras e gestos. A complexidade da existência escapa àqueles que não sabem ouvir a voz do silêncio.
quinta-feira, 7 de maio de 2026
quarta-feira, 6 de maio de 2026
As ações e decisões deste presente irão reverberar no futuro que se tornará presente. O idioma que usamos para comunicar é um lugar e um tempo. É a nossa identidade. A história da escrita é também a escrita da história, porque é a matéria-prima dela. O ser humano procura fazer caminho, procura entender toda a realidade que consegue, pela leitura do presente, do passado e procura sinais que o orientem na leitura de um caminho futuro. A língua portuguesa é o poema coletivo em permanente florescimento ao longo da história cantado por todos aqueles que o vivem e o partilham.
terça-feira, 5 de maio de 2026
Sentarmo-nos um bocado ao fim da tarde numa esplanada. Depende do local, mas com certeza já tem passado uma ou outra ambulância em marcha de emergência. Quem será, pensamos. Numa dessas idas ao hospital com a minha mãe, ela disse-me: - Prepara-te, filha. - Eu sorri-lhe, como quem diz, ...eu é que sou a preocupação?! Agora estou aqui a pensar por escrito... Às vezes é preciso ligar a sirene de urgência quando é preciso. Com algum esforço, pois. Abrandar a espiral dos pensamentos e despertar a vontade de agir que há em nós. E se o resultado da ação for bom, oferecer ou saber receber um obrigado.
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