a batuta do olhar

quinta-feira, 9 de julho de 2026

A criação artística não é apenas uma inspiração feliz. Claro que é dela que todo o processo acontece (seja ele mais simples ou mais complexo). E a inspiração feliz desencadeia-se por um olhar, um pensamento, uma leitura, uma conversa, uma situação...A criação artística é solitária? Sim. Pode não ser durante todo o processo de criação, mas alguns momentos de reflexão precisam de recolhimento. Mesmo numa banda como os Beatles ou os Xutos & Pontapés que, calculo, conversem (conversassem muito). O que é que exige a criação artística? Imaginação, técnica, sensibilidade, originalidade, (alguma) formação (académica ou autodidata), genialidade, muito trabalho. E quando o(s) autor(es) dá/dão por acabado o seu trabalho artístico, ele ganha autonomia e passa a ser de um público que o olha e o recria pela sua (re)descoberta, numa atitude de apreciação, valoração, muitas vezes tornando-o intemporal e universal.

 






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quarta-feira, 8 de julho de 2026

A dinâmica da historicidade é captada pela consciência. Por isso, a mesma situação pode ter significados diferentes para cada pessoa e/ou adquirir um novo significado com o decorrer do tempo. Claro que há testemunhos que não são verdadeiros ou que resultam de fracas fontes de informação. A história do passado é consequente com o presente e o futuro. Por isso, é tão importante compreender o significado dos acontecimentos, sejam mais ou menos coletivos. A experiência de vida e de participação. Nós sabemos que há diferentes civilizações e culturas, mas há tantas vivências comuns como os nascimentos, a construção, a partilha, a morte, as memórias gravadas no tempo...

 

                                         As memórias/Rosa Maria Duarte/Óleo s/tela/55x46













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terça-feira, 7 de julho de 2026

Na associação cultural e desportiva da quinta do bau-bau também se canta e outras coisas mais...É mais desafiante quando o ser humano se confronta com os cuidados que a existência lhe inspira. Assim, construirmo-nos é aproximarmo-nos cada vez mais de um modo de vida partilhado, autêntico e saudável...

 


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segunda-feira, 6 de julho de 2026

O que é a metáfora? Lembram-se do carteiro de Pablo Neruda que queria aprender a usar metáforas? É que a metáfora diz o que é e o que não é. Faz, desfaz e refaz a realidade. Liga as imagens de forma poética. É o nascimento de uma linguagem própria no interior da imagem. É um trabalho artístico verbal. Haverá, com certeza, uma passadeira vermelha em degraus cúbicos para o céu destinada aos famosos mais abnegados em vida. Nos muros do sonho desenhamos o mar cheio de vida, onde ouvimos e não falamos porque somos um auditório de peixes atentos e obedientes às palavras de santo António. A metáfora é simbólica e redescobre novos significados no mundo pelo olhar de alguém...

 






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domingo, 5 de julho de 2026

Viva a cultura! O povo pobre é aquele que não tem meios dignos de sobrevivência (também) pela cultura (sejam quais forem as razões). Conhecer é poder e é um bom caminho para a liberdade. Ainda que saibamos que o poder da imagem, da palavra e da arte nos cercam, nem sempre da melhor maneira...De tal maneira que os excessos e as contradições enfraquecem a sua influência e a sua pedagogia. A imagem é visibilidade e na sociedade atual, a tecnologia serve (também) para vender ilusões. Ilusão do protagonismo, por exemplo. Não queremos morrer pela indiferença do outro. O outro existe porque é visto. Voyeurismo? É pena quando a cultura de qualidade, do conhecimento e de reconhecimento se transforma numa cultura de superficialidade e de imediatismo. Muito do que é feito é para atrair a atenção. Fama é ser conhecido. E se os likes deixassem de ser o momento de supremo reconhecimento? Qual é o critério entre aquilo que é interessante e o desinteressante, entre a arte e o fútil, entre a aprendizagem e a manipulação ou a ilusão? Partilhar e ser visto para quê?

 











































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sábado, 4 de julho de 2026

Apagámos as luzes, exceto a da mesa de leitura. Vamos ler? Na realidade, está lua cheia. Abrimos a porta da frente e a nossa rua sem saída está bem iluminada pela luz natural e pela luz do candeeiro de rua. 26 graus e são vinte e duas horas. Mesmo para o Alentejo, mesmo para julho, são temperaturas quentes. A casa esteve em penumbra durante o dia e as paredes são grossas, mas mesmo assim...vamos ler para a rua. Há sossego; apenas a vida noturna dos insetos e dos carros ao longe na rua principal da aldeia. Encosto-me ao muro da frente e leio. A música acompanhava os malabaristas, a coragem dos trapezistas, as habilidades dos cãezinhos amestrados, as palermices dos palhaços desastrados...e muito mais. A certa altura, o espetáculo acabou: palmas, agradecimentos, assobios, rugidos...E o silêncio do livro deixou-me contemplativa e fiquei simplesmente a olhar a noite.

 


                                        Mesa de leitura/Rosa Maria Duarte/55x46xÓleo s/tela


                                            A porta da rua/Rosa Maria Duarte/Óleo s/tela/55x46
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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Toca o despertador. Não podemos chegar atrasados. O relógio digital (ou não) está na nossa cabeça tic-tac tic-tac. Parece o crocodilo do capitão gancho a aproximar-se do nosso barco. Será que engolimos um despertador? Ou somos heróis como o Peter Pan? Há que acelerar e chegar a tempo. Onde? Seja onde for, a pontualidade é crucial. Não perder tempo. Ou somos ainda aquelas crianças levadas pela mão da mãe ou do pai, ou outro adulto, quase de arrastão, porque ainda estamos a acabar de sonhar o último sonho da noite, de olhos abertos. Movimento, palavras, espaços, carros, pessoas, cores quase misturadas...A nossa genuína criatividade latente à espera de se libertar da rotina e da factualidade nervosa...e a bola entrou mesmo na baliza, mamã.

 



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Pestanejo ao compasso do sentimento. E penso: como é bom partilhar contigo este riacho de indagações.

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