a batuta do olhar
quarta-feira, 20 de maio de 2026
Ainda é primavera. Os dias estão a aquecer e as noites também. Dias longos. Talvez vá dando para conversar um pouco mais...O que se conversa depende do interlocutor, da circunstância, do estado de espírito...A verdade é que o ser humano ainda é um mistério. As flores são previsíveis. E nós? Somos constantemente surpreendidos pelo outro e, até, por nós mesmos. Não somos previsíveis, como se calhar gostaríamos de ser (ou talvez não...). Somos um comboio de genes que transporta as características biológicas. Apesar das nossas limitações, ainda assim há sempre momentos em que acabamos por surpreender. Transformamos certas fraquezas em força futura. Aprendemos e ensinamos. Eis o nosso maior valor.
terça-feira, 19 de maio de 2026
Fastread poetry
Vês-me aqui ou não és tu?
Estamos talvez em contra-luz
sem nos vermos um ao outro
Se calhar em contra-mão
Será que estás a contra-gosto
A conversar sobre nada?
E porque não em contra-capa
no livro da tua difícil vida
que estás para aí a escrever
talvez em forma diarística
um diário da pandemia e
mais um da pós-pandemia
Num debate permanente
Entre ser personagem escrita
Ou apenas narrativa privada
No prédio alto onde escreves
À sombra da palmeira defronte
Em meditação solene ao divino
Estás em saudação ao por-do-sol
E um OM de infinita sonoridade
ligação-regresso à noite silenciosa
A oração à mãe e ao pai do universo.
segunda-feira, 18 de maio de 2026
Certas portas castanhas, de encantos tamanhos, são bonitas com raios de luz... Nos nossos prédios urbanos são cinzentas de alumínio, ferro, aço blindado, PVC... Há portas alentejanas azuis que são restos de azul das faixas que protegem dos insetos e dos maus espíritos e lembram o mar, refletem o céu limpo, tranquilizam as mentes, fazem toilete com as flores de várias cores dos canteiros. As cegonhas gostam disso e de se aninhar nas altas chaminés e chegam, às vezes, com bebés nos longos bicos, porque são generosas, muito protetoras e boas companhias.
domingo, 17 de maio de 2026
A passagem do nada ao ser. Para ganharmos o tamanho de um átomo em relação ao imenso universo. Estamos a anos-luz da próxima casa-planeta, mas encurtamos as distâncias logo no instante inicial quando as guitarras são dedilhadas e não desistimos de olhar o passado, o presente e o futuro em cada metáfora de um fado contado e cantado com sentimento. Na música, e na arte em geral, temos de mudar de escalas do espaço-tempo a que estamos habituados.Em cada instante, observamos a expansão do universo brilhante da emoção humana.
quinta-feira, 14 de maio de 2026
- Não te esqueças de levar contigo uma cor luminosa de céu! - olho-te e dizemos até já que é assim que a distância se encurta, o tempo é outro, a alegria renasce um pouco em cada dia, as palavras se espalham pelo jardim mais próximo e talvez uma criança as guarde para brincar com elas no prato da sopa.
quarta-feira, 13 de maio de 2026
A ciência vive da observação laboratorial e das experimentações clínicas. Estuda, discute e apresenta resultados. Todos os dias, a ciência faz milagres. Cura doenças, alivia dores, prolonga a vida, propõe novas abordagens. E a poesia? A poesia faz companhia, conversa com o leitor, partilha a beleza do pensamento e do sentimento para além das palavras e do olhar do nosso rosto. Digamos que a ciência e a poesia são cúmplices no dom da cura, uma do corpo, outra dos afetos e do espírito.
terça-feira, 12 de maio de 2026
Quem és tu? Estamos (quase) frente a frente ('só' com o ecrã entre nós, tempo e espaço...). Se calhar, conhecemo-nos ou pensamos que nos conhecemos... ou somos completamente desconhecidos um do outro...ou mais eu de ti do que tu de mim...Devemos ter a forma humana. As nossas cabeças poderiam ser fósseis conforme a idade com uma sobreposição de camadas sucessivas ou uma cebola a desenvolver-se, mas não são. E também não somos só cabeça, com toda a nossa capacidade cerebral, porque sabemos que quando separam a cabeça de um corpo não se sobrevive. Precisamos da cabeça e do tronco (às árvores basta-lhes temporariamente o tronco...). Também não somos máquinas feitas de peças que encaixam, porque a nossa energia que nos move é diferente, é mais misteriosa...ainda que o desgaste da nossa matéria física densa seja visível com o estilo de vida e a inevitabilidade do tempo...Então, afinal, quem somos nós sem o nosso equipamento biológico?
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