a batuta do olhar
domingo, 14 de junho de 2026
Ontem, na taverna do Zé, almoçámos juntos, cantámos juntos, conversámos juntos mais o santo António. Se a beleza desperta em nós o prazer, então é uma beleza subjetiva, mas se a beleza estiver numa imagem ou num poema musicado, então a beleza é observável, é audível, é objetiva. Ainda que a intensidade do prazer que nos desperta seja sempre subjetivo.
sábado, 13 de junho de 2026
Eis as festividades dos santos. Quem nasceu e cresceu num bairro popular, como eu, sabe que as nossas vivências passaram (ainda passam?) pelo convívio de rua. A nossa história é a nossa identidade, com orgulho, acho. Como pesar o valor dos símbolos pelos quais as sociedades se autointerpretam? A experiência humana apresenta-se como um fluxo de acontecimentos irreversível que cada um vive à sua maneira, mas que tendem a ser revisitados e, até, ritualizados. As experiências de vida moldam-nos e transformam-nos no que fomos, no que somos, no que seremos. Vivemos num mundo com ideias e simbologias transmitidas de geração em geração. E vamos escrevendo a nossa história, porque a nossa vida continua. As ações e decisões presentes irão reverberar no futuro. Agradecer é um ato a preservar. Façamos um brinde ao convívio social. E ao jovem António pela sua humanidade e santidade!
sexta-feira, 12 de junho de 2026
Noite de Santo António. Aquele que falava aos peixes, mas não só...muito amoroso e festivo. A palavra tem o poder de nos abrir o mundo e de construir novos sentidos. Como as metáforas nos seus sermões. Modificamos comportamentos pelas palavras honestas dos outros (não pelas palavras manipuladoras, se não formos descuidados). Festa da palavra-poesia. «Ó meu rico santo António/do amor e do menino/faz milagre do neurónio/do discurso e do sino.»
quarta-feira, 10 de junho de 2026
Será verdade que se pode viver feliz para sempre? Se eu me considerar uma pessoa feliz, serei feliz? Para sempre é até à morte ou para além dela? Nós gostamos das histórias que acabam bem, ou melhor, das histórias que não acabam, apenas não há mais nada a dizer porque tudo continua na mesma, bem e com felicidade. Como num casamento perfeito. Aceite por todos e abençoado pelo divino. A verdade orienta e confirma a realidade. Querer é poder. Mas a realidade não é só o nosso querer. Mesmo a história coletiva é contada de formas distintas porque somos diferentes. Como no fado que é a história da gente. E a história da humanidade é a busca da verdade.
Algumas bonitas peças de madeira em construção de autoria do Manel. Mãos à obra, artista! A arte pode ser diversão, mas é muito mais do que isso. Pensar que é um caminho fácil, muito aprazível, invejável, também é arriscado... «Somos espelhos uns dos outros». Ou seja, mais arriscado do que ser artista, é ser juiz... E a maturidade não é proporcional à idade. Transferir culpas também não é solução...Mas a arte pode (ajudar) a salvar...
terça-feira, 9 de junho de 2026
Parabéns, Serra da Estrela! Passas a deter duas designações da UNESCO: de Geopark Global UNESCO, reconhecido em julho de 2020, e agora de Reserva da Biosfera. O que é que isso significa? Bom, maior proteção nacional e internacional, não é demais...reforçar a sustentabilidade da nossa serra, inovação e educação ambiental, blá, blá... A serra da Estrela é linda! :)
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