a batuta do olhar

terça-feira, 14 de julho de 2026

Eu nasci em casa. Não foi neste prédio da fotografia, mas qualquer casa é boa para nascer, ainda que o melhor seja numa maternidade. Onde comecei a falar? Provavelmente também em casa, porque o começo da fala é, como sabemos, um processo muito gradual nos primeiros meses e anos de vida. Mas que nascemos com uma disposição natural para sermos gramáticos, é verdade. Vamos aprendendo a combinar sons e sílabas, de início sem sentido, e depois vamos formando palavras significantes. Ou seja, somos seres portadores de um património de comunicação. Pelos vistos, os únicos seres com tal património de comunicação. Há quem diga que no futuro nem precisaremos de articular as palavras e emitir sons para verbalizar porque teremos a capacidade de ler/interpretar os outros e comunicar mentalmente com outros falantes...Sem silêncio não há som. Sem locução pode um dia continuar a haver fala?

 



Publicada por rosa maria duarte à(s) 01:33 Sem comentários:
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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Ao contemplar a beleza do mundo, diluímos a nossa individualidade, abstraímo-nos de nós próprios e imergimos no quadro natural que os nossos olhos reproduzem na nossa mente. Será que conseguimos permanecer no estado de perceção pura, de captação do indizível, numa expansão de consciência e ligação com a beleza mais subtil? O génio de espírito artístico consegue numa linguagem artística escolhida dar a sua visão da realidade, que pode ser apenas a captação de momentos fugazes. É a liberdade de ousar a eternidade.

 















Publicada por rosa maria duarte à(s) 01:32 Sem comentários:
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domingo, 12 de julho de 2026

E pede a palavra. Quando o mar traz notícias de longe, ele fala connosco. Ninguém o consegue silenciar. Só ele próprio quando está a gerar um poema, enamorado pelo céu, pelo sol, pela criança que brinca na areia. Ouvimos um sussurrar do mar no habitáculo do búzio e imaginamos o longe, o muito que o mar diz e nos dá. O mar não tem idioma porque é música universal, como o fado. No mar, o fado acontece. Rimos, choramos, meditamos, bailamos nas ondas, deslumbramo-nos com a sua canção sempre diferente e sempre tão próxima de nós. Somos grãozinhos de areia, pós de estrela, gotas de água, luz intensa a olhar o nascer, o viver e o renascer de cada um de nós, imenso cosmos.

 


















Publicada por rosa maria duarte à(s) 02:15 Sem comentários:
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sábado, 11 de julho de 2026

Como é ser outro? Um desafio que ajuda a perceber a realidade de se ser uma pessoa, única, concreta, na interação. As máscaras libertam de cânones e de normativos culturais. Questões de identidade que o outro ajuda a confrontar e a interpretar. É preciso sair da caverna das imposições. Será possível ser prisioneiro e carrasco ao mesmo tempo? A liberdade que tanto aspiramos espera pelo nosso discernimento, que tarda no emaranhado das emoções e contradições humanas. A arte vai deixando, aos poucos, entrar luz na consciência humana. Somos seres integrados no cosmos, afetivos e inteligentes que se interrogam para sermos um coletivo. O espetáculo das sombras, da luz, da palavra, da música, dos gestos, do olhar, dos silêncios...Show must go on.

 

















Publicada por rosa maria duarte à(s) 00:56 Sem comentários:
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quinta-feira, 9 de julho de 2026

A criação artística não é apenas uma inspiração feliz. Claro que é dela que todo o processo acontece (seja ele mais simples ou mais complexo). E a inspiração feliz desencadeia-se por um olhar, um pensamento, uma leitura, uma conversa, uma situação...A criação artística é solitária? Sim. Pode não ser durante todo o processo de criação, mas alguns momentos de reflexão precisam de recolhimento. Mesmo numa banda como os Beatles ou os Xutos & Pontapés que, calculo, conversem (conversassem muito). O que é que exige a criação artística? Imaginação, técnica, sensibilidade, originalidade, (alguma) formação (académica ou autodidata), genialidade, muito trabalho. E quando o(s) autor(es) dá/dão por acabado o seu trabalho artístico, ele ganha autonomia e passa a ser de um público que o olha e o recria pela sua (re)descoberta, numa atitude de apreciação, valoração, muitas vezes tornando-o intemporal e universal.

 






Publicada por rosa maria duarte à(s) 01:44 Sem comentários:
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quarta-feira, 8 de julho de 2026

A dinâmica da historicidade é captada pela consciência. Por isso, a mesma situação pode ter significados diferentes para cada pessoa e/ou adquirir um novo significado com o decorrer do tempo. Claro que há testemunhos que não são verdadeiros ou que resultam de fracas fontes de informação. A história do passado é consequente com o presente e o futuro. Por isso, é tão importante compreender o significado dos acontecimentos, sejam mais ou menos coletivos. A experiência de vida e de participação. Nós sabemos que há diferentes civilizações e culturas, mas há tantas vivências comuns como os nascimentos, a construção, a partilha, a morte, as memórias gravadas no tempo...

 

                                         As memórias/Rosa Maria Duarte/Óleo s/tela/55x46













Publicada por rosa maria duarte à(s) 01:43 Sem comentários:
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terça-feira, 7 de julho de 2026

Na associação cultural e desportiva da quinta do bau-bau também se canta e outras coisas mais...É mais desafiante quando o ser humano se confronta com os cuidados que a existência lhe inspira. Assim, construirmo-nos é aproximarmo-nos cada vez mais de um modo de vida partilhado, autêntico e saudável...

 


Publicada por rosa maria duarte à(s) 01:40 Sem comentários:
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Pestanejo ao compasso do sentimento. E penso: como é bom partilhar contigo este riacho de indagações.

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