a batuta do olhar

terça-feira, 31 de março de 2026

Em Alcântara, vemos uma varina a vender peixe...que nostalgia suscita esse quadro popular e cultural do quotidiano! Sentimos o impulso de registar o que o nosso olhar viu e o nosso sentimento experimentou. Porque a arte não se esgota no olhar...mas é a expressão simbólica humana maior. A inspiração, a imaginação, a técnica, a sensibilidade, a originalidade, a(lguma) genialidade e muito trabalho. A arte é a respiração inefável, um encontro com a liberdade, captando pequenos momentos vividos...O mundo da arte dilui a individualidade.

 

                                        A varina/Rosa Maria Duarte/Óleo s/tela/55x46

 




































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segunda-feira, 30 de março de 2026

O que existe para além do tempo? Nós temos corpo, as cidades têm corpo, o planeta tem corpo...e o tempo manifesta-se nas marcas e mudanças que vai trabalhando em cada construção finita. O amor é temporal? Ágape ou o amor divino não é uma emoção apenas, mas o poder de amar o outro pela força invisível, que rompe com as linhas do tempo (humano?).

 


















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domingo, 29 de março de 2026

Que agradável que é a Primavera! Hoje é mais um dia em que o Homem mexe no relógio, porque pretende reorganizar o próprio tempo na vida quotidiana...Mas esta nossa tendência de pensar o tempo, de esperar adaptá-lo melhor, é legítima, mas simplesmente circunstancial...porque o tempo (psicológico?) é também um fator limitativo da nossa existência. Mais memórias, mas menos tempo para viver, pelo menos neste percurso de vida...O tempo da consciência tem uma tal plasticidade infinita que nos sentimos a recuperar o tempo perdido...Alguns poetas versejam sobre a transitoriedade e a efemeridade, mas têm consciência de cada aprendizagem, da maturidade, da obra prima divina que é a humanidade. O tempo rouba, ceifa, devora, mas também oferece, dá beleza e sentido a cada passo nos socalcos da caminhada...

 


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sábado, 28 de março de 2026

Somos máquinas? Fabricamo-las. Nós somos, tendencialmente, mais fracos do que muitos seres, mas temos uma linguagem e um pensamento complexos. Por isso, o ser humano é a única espécie (que saibamos, claro) que produz tecnologia. Do ponto de vista biológico, temos a vista fraca, o olfato reduzido, o ouvido limitado, sem garras ou outros acessórios naturais. Muitos animais são mais comunitários...A inteligência humana é social, mas também evolui individualmente. Somos seres de consciência e tal acarreta a responsabilidade acrescida na preservação/construção do bem estar no meio em que vivemos.

 


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sexta-feira, 27 de março de 2026

Estamos sempre a construir geometrias. Quando olhamos, o nosso campo de visão tem uma forma arredonda. Quando cantamos, a nossa voz ora ondeia, ora faz picos montanhosos, os gestos que a acompanham desenham retas ou espirais...É uma linguagem dançante ao som da nossa voz. O movimento distrai, mas é preciso escutar o que é dito. É preciso escutarmos o que dizemos. É preciso escutar também as pausas, reparar nos olhares, no que não é dito...estes silêncios são espaços de meditação, de compreensão, de visualização...Um fado que quer ser a gentileza do pensamento partilhado.

 

                                                         No CRF a 26 de março de 2026


































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quinta-feira, 26 de março de 2026

Olhos nos olhos. Gostamos de falar frente a frente. O som é muito importante como a música ou até os sons na rua para nos ajudarem à orientação e memorização. Mas continuamos a viver de imagem. Há mais imagens sem som ou sons sem imagens? Bem, a rádio é um bom exemplo de sons sem imagem. Mas as imagens e os símbolos também fazem parte do nosso quotidiano. As fotografias. Os desenhos e pinturas. Vivemos num mundo simbólico que nos leva ao reencontro. A representação dos olhos. Podemos falar apenas com os olhos. Reencontramo-nos no olhar do outro. Símbolo do espelho da alma.

 

                                    O teu olhar/Rosa Maria Duarte/Óleo s/tela/55x46

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quarta-feira, 25 de março de 2026

Quem não sabe o que é a conversa da treta? Às vezes, a treta vai além das palavras...A treta é inevitável quando falamos sobre um assunto que não conhecemos. Não somos obrigados a ter uma opinião sobre tudo. Devemos primeiro conhecer, refletir e, se nos sentirmos informados e com uma posição tomada conscientemente, dar uma opinião clara e voluntária. A confiança é um valor inestimável. Só seremos fiéis a nós próprios, se formos fiéis aos factos. Ainda que saibamos que precisamos da criatividade artística para elevarmos a beleza o que muitas vezes é o quotidiano da tirania factual.

 




























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segunda-feira, 23 de março de 2026

Os satélites revolucionaram o mundo...Às vezes ainda me apetece fazer sinais de fumo (gostava de fazer fogueiras) ou por que não tocar um tambor a rufar a rufar para te convidar a ler o que estou a escrever? Porque se eu soubesse montar, iria a cavalo a levar-te, a ti e aos outros, esta mensagem, ou também podia por na caixa do correio, de quantas pessoas?, vários telegramas, ou pedia à rádio Amália para cumprimentar toda a gente por mim, embora (aparentemente) telefonar já não seja tão caro...mas se tenho de pagar à operadora, mande ou não esta mensagem, aqui vai. Seja como for, o progresso não pára. A rádio permitiu inovar com a comunicação para muita gente, na hora, e ajudou a alfabetizar. A televisão ajudou a aumentar esse fenómeno de massas e hoje vivemos agarrados à tecnologia. Mas será que encurtámos verdadeiramente distâncias?

 


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domingo, 22 de março de 2026

Preferes palavras ditas ou palavras cantadas? Ou as duas? Também há fado falado, por exemplo...e vendedores cantores? Bem, a publicidade (também há boa publicidade) nos media abre muitas possibilidades... O certo é que a vida não é um musical. Contudo ser poeta ou escritor é condição que faz parte do nosso quotidiano (também o seremos?) porque, com excelência, trabalham as palavras com enlevo para as dizer/cantar de modo único. Na verdade, qualquer palavra é já um feito na história da humanidade. A palavra poética é então a beleza do pensamento inspirado e fluxo do sentimento lúcido. Conscientes de que nada é verdadeiramente nosso...

 


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sábado, 21 de março de 2026

Porque é que (não) sou feliz? Eu (não) sou feliz porque (não) me reconheço feliz. Só seremos felizes quando percebermos que as ambições desmedidas não são objetivos saudáveis e que devemos empreender, mas que a felicidade é um projeto em curso e não um prémio.

 




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sexta-feira, 20 de março de 2026

O que é a sociedade moderna? Nas civilizações antigas não havia liberdade (de espírito e não só...), mas, a pouco e pouco, o ser humano foi tomando consciência e foi exigindo (alguma) liberdade e foi contribuindo para uma sociedade aberta, uma sociedade moderna.. A modernidade nasceu na Europa? Hoje, as sociedades têm múltiplas modernidades, em permanente procura do equilíbrio, pensando as instituições e visões do mundo transformadoras...A torre de Babel foi o primeiro arranha-céu da obra humana? Sem comunicar, não conseguimos construir um mundo novo.

 


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quinta-feira, 19 de março de 2026

O mito da cornucópia: Zeus era ainda um recém-nascido quando a ninfa Amalteia, que tinha uma cabra, alimentou-o com esse leite. Um dia estavam brincar e a cabra partiu o seu chifre. Zeus, deus dos deuses, conferiu então ao chifre o poder de se encher dos alimentos mais apetecidos. A forma da cornucópia ficou símbolo da abundância e fertilidade (por vontade divina). Esta narrativa simbólica propõe uma origem para certa tradição popular...Quem não gosta de cornucópias?!

 




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quarta-feira, 18 de março de 2026

O enigma da existência: Se somos filhos de Deus, quem é Deus? Bom...é o Todo, o Finito e o Infinito, a Criação, o Divino. Mesmo os ateus e os agnósticos desejam a imortalidade (pessoal?) e questionam a eternidade. Ou será que nada há antes e depois...? O que seria um enorme desperdício de aprendizagem e de crescimento...Se somos livres nas decisões, ainda que com muitos condicionamentos, o mundo é um lugar com luz e sombra, guerra e paz, ruídos e silêncio, morte e vida, liberdade e tirania, certezas e dúvidas...


 

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terça-feira, 17 de março de 2026

Acreditas que os poetas são uma espécie de profetas da palavra? ...um vate que escreve com grande fervor, com inspiração de natureza divina? (e não o será?). Os poetas sabem que as palavras dizem sempre mais do que aquilo que o dicionário revela. O fado festeja o canto dos poetas. Com silêncios. Com movimentos de dança, mental e fisicamente. Com a palavra poética saudamos a conversa entre o mundo interior e o mundo exterior. O poema é um pedaço de vida, sinónimo de poder e força visceral. Celebra o momento, a liberdade do pensamento e do sentimento. Convoca o som, a melodia, a expressão solta, a interação entre o mortal e a imortalidade.

 


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segunda-feira, 16 de março de 2026

Será que a história chega ao fim quando formos cidadãos integrais? Não somos uns desfigurados ao vermos apenas o que está fora de nós? Somos ciência, tecnologia...civilização...Olhar para compreender e libertar o que está aprisionado. O ser humano é sábio e louco suficiente para se superar e aperfeiçoar. É preciso coragem.

 

                           Mãe-Coragem/Rosa Maria Duarte/tela em madeira/50x40






































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domingo, 15 de março de 2026

Gostamos de olhar as estrelas à noite. É um espetáculo lindo quando não há nuvens. Não nos cansamos de olhar e tentar identificar as suas constelações. Comovidos, pensamos: haverá, por ventura, em nós alguma pequenina réstia de memória, algo de reminiscência longínqua de um passado em que seríamos também natureza estelar? Temos a percorrer no nosso sangue, segundo os entendidos, ferro, cobre, zinco, selénio e outros componentes das supernovas. E água. Como gostamos de passear à beira-mar. Somos mar, rio, chuva, orvalho, seiva. Alimentamo-nos com o olhar, a pele, os aromas, o paladar. Como não podemos ir ao céu reclamar uma fatia de estrela para nos alimentarmos, vamos ao supermercado ou ao restaurante degustar elementos químicos que têm origem em supernovas. Somos todos Um. Somos apenas um verso: o Uni-verso.


 

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sábado, 14 de março de 2026

O fado somos todos nós. Este convívio de fado foi no Clube Recreativo do Feijó. Bonitas vozes. Obrigado ao Joaquim Maralhas, ao senhor António Pais, aos músicos e a todos os participantes.

 







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sexta-feira, 13 de março de 2026

Queres falar? Fala à vontade! Estás a olhar-me? É sincero. Tomar a palavra é acrescentar um pouco do nosso mundo. Quanto mais saudável for, melhor. Quando nomeamos o que existe, se não existir antes, passa a existir, de alguma forma... A linguagem, verbal ou não, é um encontro. Pelas expressões faciais, a linguagem corporal...E nós humanos somos uns privilegiados como seres falantes. As nossas palavras são importantes e as dos outros também, quantas vezes nos modificam. As palavras são insubmissas quando criam novos sentidos. A poesia revela-se, na sua liberdade...Ficamos à tua espera. Está quase...? Leva o teu tempo...Falar é falar não só para o(s) outro(s), mas é também para si mesmo.

 


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quinta-feira, 12 de março de 2026

É melhor pensar ou é melhor não pensar? Ser ou não ser, eis a questão...Não conseguimos evitar o pensamento, e é bom pensar, de preferência ponderadamente, logo pensar para tomar as decisões que desejamos. O que devemos evitar são os pensamentos repetitivos, desgastantes, rodopiantes...exercitar a reflexão, ou seja, parar para pensar, com ou sem ajuda, com o nosso cérebro. Algumas das nossas ações são tão habituais e maquinais que já nem nos lembramos da decisão que lhes deu origem; ou então ações praticadas distraidamente porque estamos absortos ou preocupados...Somos livres? A nossa mente viaja aonde nós a levamos. Umas vezes com mais consciência, outras com menos consciência disso...

                                     Queres viajar, Mente?/Rosa Maria Duarte/Óleo s/tela/55x46




















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quarta-feira, 11 de março de 2026

O que é que mais te preocupa? Todos nós temos assuntos pendentes e procuramos resolvê-los, desde os mais simples aos mais complexos, desde os domésticos aos nacionais e internacionais. Procuramos nos livros, na internet, na nossa experiência ou na experiência de outros, os mais especialistas, consultamos os astros, os livros sagrados...As verdades da ciência são insuficientes, as ideologias desacreditam-se, as religiões aprogoam-se e não se praticam, o paradigma da racionalidade enfraquece e reclama a força da transcendência, do imaterial, do desconhecido, da vontade superior e universal...

 







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terça-feira, 10 de março de 2026

Big Bang e o universo nascia. Com estrondo? Tudo indica que não foi uma explosão, mas uma expansão...Contudo, o bebé humano nasce...a chorar...por nascermos carentes? As outras crias nascem em silêncio e começam pouco depois a andar...Nós demoramos...Esta lentidão torna-nos dependentes, prematuros...Mas acabamos por surpreender quando aprendemos, comunicamos, construímos respostas. Criamos cultura, construímos civilização, património material e imaterial da humanidade. Continuamos a desenvolver-nos e a crescer...ao mesmo ritmo que destruímos e regredimos?

 




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segunda-feira, 9 de março de 2026

Fazemos contas à vida. Por causa dos conflitos, das inflações, das inundações...mas também porque estamos mais atentos ao nosso interior? Quem és tu? A questão da identidade não é só de hoje. Os desassossegos da alma, os caminhos com entroncamentos e encruzilhadas. O pastor dos pensamentos, o engenheiro das emoções, o intelectual das contemplações. O que somos é também o que os espelhos nos devolvem. Às vezes escondemos as nossas expressões, criamos uma serenidade (será aparente?). Desempenhamos vários papéis. Somos um Todo, puzzle com muitas peças em construção, mas o cartão de cidadão (ainda) não sabe disso.

 




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domingo, 8 de março de 2026

Dia Internacional da Mulher: filha, esposa, mãe, avó, tia, irmã, prima, trabalhadora, amiga, sonhadora, motorista, doméstica, artista, confidente, enfermeira, crente, cidadã, vizinha, (e/i)migrante, líder, subalterna...

 



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sábado, 7 de março de 2026

Queres ser grande? A redução das expectativas diminui a frustração. E o sonho? Sim, contudo, por prudência, não elevar demasiado a fasquia. É mais desafiante o caminho do que a meta...altruísmo e dignidade. Até mesmo, desapego q.b.. A felicidade é calma e está no encontro, na contemplação, no projeto em curso: cada olhar, cada presente.

 


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sexta-feira, 6 de março de 2026

Há uma frase que digo às vezes: - É o possível... Há quem não goste dela. Há palavras que nos irritam, outras que nos ferem, ainda outras das quais gostamos. A possibilidade é, no entanto, real. É possível que vivamos um dia a paz mundial. É uma possibilidade que não depende (só?) de mim ou de ti. Mesmo que eu não pense nisso sequer, a paz pode ser uma realidade no mundo. Nós queremos que o que pensamos, um dia, aconteça. O nosso pensamento tem como propósito final a existência de algo, seja de natureza imanente ou transcendente, visível ou invisível aos nossos olhos.

 


Publicada por rosa maria duarte à(s) 00:44 Sem comentários:
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Pestanejo ao compasso do sentimento. E penso: como é bom partilhar contigo este riacho de indagações.

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