Mãe
Vou escrever-te
um dia esta carta
daquelas que toda a gente
escrevia para te dizer
que cheguei bem
aos anos das recordações
uma carta de chegada
a este lugar da vida
algures desde a meninice
um sítio na minha mente
onde não já estás (ou ainda)
porque é longe
e demora demora oito dias
de avião a chegar.
É um papel levezinho
pautado e dobrado
para não pesar no ar
com envelope às riscas
onde escrevo a caneta
na ponta superior direita
em diagonal «par avion»
não vá ficar esquecida
na bagagem da memória
e esta minha viagem
na tua rotina diária
ser cancelada desviada
da rota do teu acordar
do teu olhar longínquo.
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