terça-feira, 21 de abril de 2026

A memória é uma vitória contra o esquecimento. Ainda me lembro de me olhar ao espelho e de ver o meu rosto com a pele completamente lisa (não foi há muito tempo...). Em alguns momentos, sentimo-nos tão absorvidos no momento presente e o tempo fica tão denso que parece eterno. A pintar. A escrever. A cantar. A conversar. Este esfumar do fluxo temporal é (quase) uma experiência da eternidade. A consciência ganha densidade. Somos a pintura enquanto pintamos. Somos as palavras enquanto escrevemos, falamos ou ouvimos. Somos a música enquanto cantamos. Somos o pensamento enquanto refletimos. Somos o amor enquanto experimentamos esse sentimento. A eternidade não é só o prolongamento do tempo até ao infinito. É sobretudo o acontecimento de ser eterno no tempo. Somos esses momentos eternos que têm uma energia tal que ultrapassam o tempo e o espaço.

 


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