Somos luz
somos sombras
breves traços ténues
coloridos no regaço
do sentimento materno
ora felizes ora curiosos
por vezes confusos
às vezes inseguros
carentes cientes
da efemeridade...
Somos luz
somos sombras
breves traços ténues
coloridos no regaço
do sentimento materno
ora felizes ora curiosos
por vezes confusos
às vezes inseguros
carentes cientes
da efemeridade...
Há liberdade
nas aves pousadas
no fundo ténue do céu
a planar a desenhar
a frescura das passageiras
nuvens que dançam ao vento
e dão sombra aos barquinhos
corajosos a velar a navegar
o Tejo prateado de luz
chuva bruma despenteando
quem passa comovidamente.
Há eleições de cristais
há eleições de amizades
eleições de cada memória
que o tempo quer registar
(des)arrumado pelos sais
no acetato de celulose
os contornos em negativo
as imagens invertidas
momentos em positivo
no coloreto de prata
castanho escuro sépia
também a preto e branco
e depois a colorido
negativos a contraluz
por dedos pré-digitais
enchem as nossas gavetas
com múltiplas cópias
positivas sentimentais
somos o clube dos avós.
Ó Tejo
com as tuas ninfas
abraças prolongadamente
linhas cerradas de vida
berços e viveiros de seres
grossas fontes de querer
ser ave peixe gente erva
em lugares ainda livres
de progressos lucrativos
apenas ecossistema
melodias silêncio cor
luz e arte de viver.