quarta-feira, 4 de abril de 2018

A anedota da Anne Bota

- Viste-me ontem aquele golo?!

- Aquele da tesoura? É pá, até me cortou a respiração!

- Eu estou careca de ver bons jogos, mas aquele golo foi à barbeiro, meu!

- Foi um corte à maneira, mesmo.

- E não foi uma tesourinha. Foi uma boa tesourada. Sem pente nem nada. Certinho, direitinho.

- Ah, CRistas! És o mata 7.

- O CR7 é mas é o remata 307.

- A sério? E eu que nem ligava à La Liga?!

- La ligas agora.





Queres pensar comigo XIII

- Olá. Podemos falar sobre o assunto que deixámos pendente?



- Sobre a fé? Se quiseres... Não é um assunto de fácil raciocínio. Mas podemos explorar um pouco os dois esta matéria. Com todos os riscos que se correm quando falamos em fé.



- Sem te sentires obrigado a aprofundar a questão. São matérias sempre em aberto.



- É isso mesmo. Então: a fé é o contrário da dúvida. Ou se tem fé, ou se duvida. Não é?! É uma confiança incondicional sem provas. Quando eu digo: eu acredito, não é a mesma coisa que dizer: eu tenho fé. Porque nós sabemos que acreditar não é sentir o mesmo grau de confiança que o sentimento de fé encerra. A fé não equaciona o erro.



- Pois, a fé é muito forte e espiritual. É a verdade incondicional mais no coração que na mente...



- Claro que a palavra fé pode ter sentidos mais coloquiais, mas aí desvia-se do seu sentido original. A palavra fé vive tanto no contexto social como, e sobretudo, no contexto religioso.



- Então: sempre há diferentes tipos de fé?



- Há alguns autores que entendem de forma distinta os diferentes tipos de fé. Se estás interessado em conhecer a rigor, deves fazer uma pesquisa sobre isso. Há, de facto, diferentes tipos de fé. Se a fé é a própria base do nosso ser, aquela que depende de algo no nosso exterior é outro tipo de fé. No meu entender, menos consistente. É que nós não somos só o corpo, não somos só a mente, não somos só estes dois juntos: somos algo mais: somos o Ser que usa e sustenta o corpo e a mente.



- Deixas-me quase sem palavras...



- Ainda somos um livro com muitas páginas por ler...



- O que é fascinante! E Deus?



- Deus é a noção do Absoluto que está para além da nossa compreensão de humanos. Só desenvolvendo a Consciência interna e espiritual que cada um pode desenvolver, conseguimos estruturar essa fé, num contexto religioso, e que se encontra na raiz do nosso próprio ser. 



- Então Deus existe?



- Claro que o Absoluto existe. Nós somos minúsculas existências do imenso Universo. Mas o homem só poderá compreender-se, se olhar o seu interior que nasce de Deus ou Energia Criadora. Não através de uma qualquer fé. Ele só pode compreender-se olhando para a sua própria natureza. E, curiosamente ou não, a sua própria substância é compreendida olhando aquilo que não é a natureza do seu Eu. Porque eu sou o espectador de mim; logo sou a perceção que tenho de quem eu realmente sou.



- Acho que já chega por hoje. Vamos apanhar ar...





terça-feira, 3 de abril de 2018

A anedota da Anne Bota

- Olá fofinho.

- Olá fofinha.

- Queres comer batata doce?

- Só se for batata frita.

- Batata doce frita?

- És um doce, mas prefiro sem sabor.

- O amor ou a batata?

- A batata de cor em forma de amor.






O som, o sol, a cor, a flor e o olhar.

 Um domingo de Páscoa:








Em casa...
Rosa Maria Duarte
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segunda-feira, 2 de abril de 2018

Crónica de opinião no «Diário da Região»








Rosa Duarte

Rosa Duarte

Mestre em Estudos Portugueses
Há tanta gente que gosta de dançar.
E quem não gosta, gosta com certeza de ver dançar.
Porque cada homem é a sua dança. Sem dança, a humanidade esgota-se na sua rotina diária.
Pois a dança é a excelência do indivíduo a unir-se. Para se ligar ao som musical, vivenciar o seu corpo, comunicar, sociabilizar, descomprimir…
E as flores são tão ou mais sensíveis ao movimento no ar, ao toque. Dançam com a brisa, perfumando-a.
Será que tudo o que é vivo é dançável?
Dançar não apenas com a chuva, com flores, com as andorinhas… a celebrar, a brincar, a evocar…a balancear…
Até o fado é dançável.
Todos são dias bons para dançar, festejar…consoante a vontade e o tempo para tal.
Festejar a poesia. Num bom e vivo propósito de acordar para a vida.
A poesia numa festa da criação, da libertação, da partilha. Em dança corporal. O corpo, as palavras. A alma, o sentido. Uma dança de palavras, de significados, de vozes, de autores, de intenções, de sentimentos..
Poesia melancólica ou sonhadora. Simples ou erudita. Natalícia ou lúgubre. Sempre dançável. Com ritmo. Com perfume e cor. Palavras da mente, audíveis na fala, sonhadas no canto e no coração.
Ritmo que embala o berço ou anima o largo citadino. Desperta na oratória da capelinha ou alegra no adro da igreja.
A dança é a poesia a comemorar-se.
A dança da Poesia tem uma genealogia à cabeça: a Primavera, a Natureza e a Palavra.
Numa dança das flores que acontece todo ano. Em diferentes partes do planeta.
Flores de Primavera. Flores de Verão. Flores de Outono. Flores de Inverno.
Flores que nascem loucamente no período fértil da Natureza. No calendário reprodutivo da sua terra. Na dança natalícia da numerosa descendência da sua Mãe-Natureza.
E tudo o que é pequenino é mais gracioso e comovente.
Flores que não só femininas e frágeis. São também masculinas na sua determinação.
Que o vento conhece na sua resiliência. E sabe que precisam da dança livre para chegar ao momento final do parto: o fruto.
Então oferecem as suas pétalas que esvoaçam, prematuramente ou não, para a transformação em húmus o colo da sua progenitora Terra-Mãe.
Vivamos estes ciclos com humanidade natural e saudável.
Sintamos e coabitemos. Sem cegueiras nem egoísmos de pé leve.




Faz (de) contas de cabeça...

E se não, (re)para e olha:
somos eu, tu, ele tão grandes
vês? De cima olhas p'ra baixo
não nos sentimos bichos de conta
a brincar tontinhos aos sete anões
mas vistos um pouco acima no céu
mirados p'lo mais pobre passarinho
somos muito indefesos e pequeninos
muito mais invisíveis e bichinhos
a arrastar na terra os nossos pés.

Rosa Maria Duarte