a batuta do olhar

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Como não esgotar (ainda mais) os recursos naturais do planeta? Desenvolvendo a consciência do todo. Os pensamentos pequeninos esquecem a ligação entre tudo. Às vezes, sentimo-nos sós, mas não estamos sós. Ao sairmos da nossa bolha, da nossa cabeça, vemos melhor o céu e tudo à nossa volta. Nem sempre interpretamos bem os outros e as situações, mas errar é humano. Sublimar os impulsos e alcançar a serenidade ajuda a olhar o universal. A arte, por ex., é um desapego ou uma respiração da alma que vai ao encontro da liberdade de dizer e sentir o mundo de forma ousada e sempre em busca de novos caminhos. A obra de arte transcende o seu autor, ganha autonomia e vence as barreiras humanas. Só o génio artístico consegue indicar o caminho da perceção pura, a beleza da visão elevada para além do circunstancial e da rotina.

 








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terça-feira, 28 de julho de 2026

Interrogamo-nos sobre as condições no mundo em que vivemos, mas também sobre o eterno e o absoluto. Talvez mais quando chegamos à adultez. É natural. Crescer é um ato de relação. É a festa do reconhecimento. Como a celebração da declaração universal dos direitos humanos. Viver condignamente. Vivemos vidas que são microssegundos na história do universo, à procura de deixar contributo à nossa passagem, com a ilusão da eternidade da nossa obra. Sempre com vontade de acrescentar algo. Conhecer e vivenciar sempre mais. Podemos pensar o infinito, o eterno, o sem fim. Será que vale a pena interrogar? Como provar a existência do absoluto? Somos a história que ousou e ousa pensar e interrogar.

 


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domingo, 26 de julho de 2026

O beijo. Entre uma flor e um inseto, por ex. Qual foi o primeiro beijo entre humanos? Não são só os humanos que se beijam...Há beijos para todos os gostos...Como fazer a história do beijo? De entre muitos, destaca-se o beijo em que dois lábios se unem. Cada um é um mundo. Um instante pode ser intemporal...O que representa o beijo?...também exaltação, êxtase, emoção e sentidos, biologia e mito, sagrado e profano... Porque é que Judas beijou Jesus? O amor é alegria e o seu contrário: ódio, ciúme, traição, crueldade. Mas o amor (bem como o amor-próprio) transcende as normas, as regras, as convenções, as razões e recria-se no seu poder magnético e espiritual. O tema do amor é inesgotável na arte, na religião, na filosofia, até na política, na matemática, na economia...O amor é, em última instância, a razão mais visceral de todos os atos humanos.

 













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sexta-feira, 24 de julho de 2026

O debate sobre a soberania prossegue...Quem 'manda' no ser humano ou é ele que manda mais do que obedece? Ou é o próprio que cria tantas normas de conduta que se autoboicota? Ou pelo contrário, há quem queira impor-se a qualquer custo que não se importaria de viver numa autocracia ou numa anarquia? Seremos como os caranguejos daquela história dentro do balde que quando algum consegue subir um pouco mais, os outros o puxam para baixo? Apesar de tudo isso, o mundo continua a girar (até quando, não se sabe...) e se não se leva nada (nada mesmo?) no final da existência de cada humano, como será no final da existència planetária terrestre? Os neoliberais continuam a querer privatizar os lucros e a sociabilizar as perdas...a economia equitativa tem imperativos não económicos (qual a importância da arte?)...O céu e o mar continuam resilientes a apoiar as políticas do nascer e do pôr do sol...atenção que vem aí um eclipse...:)

 


Publicada por rosa maria duarte à(s) 07:36 Sem comentários:
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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Mais um convívio de fado: dia 20 de agosto, pelas 15 horas, na aldeia da Justa, Grândola. Apareçam :)

 

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domingo, 19 de julho de 2026

Cantar é orar duas vezes. Quem nos fez assim, e aos passarinhos, sabia o que estava a fazer...Se surgimos há vários biliões de anos, quando as moléculas à base de carbono criaram um micro-organismo autorreplicante, só podia ter surgido nos mares primitivos da Terra. Onde o fado, um dia, muito muito depois, viria a ser o canto dos marinheiros e das sereias. E só uma inteligência criadora do universo seria capaz de favorecer tal desígnio naturalmente tão pouco provável de acontecer: o nascimento da humanidade. Por isso, cantar é orar, agradecer a Deus o amor que o fado nos traz e, também, o ciúme, a aprendizagem, a fraternidade, o destino.

 

              Na Associação Cultural e Desportiva da Quinta do Bau-Bau, 18 de julho de 2026






                                    Obrigado a todos, músicos, público, fadistas, Direção.














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sábado, 18 de julho de 2026

A dificuldade em escolher. As escolhas do dia a dia nem sempre são muito importantes, mas há aquelas decisões aparentemente pouco significativas e à sua escala podem comprometer a sobrevivência do planeta ou a qualidade de vida de cada um...e não podemos escapar à responsabilidade de descobrirmos, cada um de nós, o seu papel no lugar onde vive, na comunidade onde está inserido, na sua humanidade. E não refletir apenas sobre isso quando for (mais) velho ou tiver um pouco mais de tempo. A maturidade não é (só) alcançada pela idade, mas pela educação e pelo exemplo dos mais próximos. Bom fim de semana.

 















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sexta-feira, 17 de julho de 2026

A ampulheta do tempo não para. Mais um encontro de fado com sorrisos e trejeitos. A música é uma arte criada pela vontade humana. A sociedade é uma invenção ousada da vontade humana. A partilha, a cooperação e as interações são, sempre que as pessoas o decidem, suportes de crescimento individual e grupal. A transparência e a comunicação diversa são as melhores opções, desde que não haja propósitos de atrapalhar ou dissuadir. O fado é amor, ciúme, despeito, respeito, engano, verdade, mentiras, sonhos, desilusões, união, repressão...em que todos entramos e contamos, Todos temos valor. A verdade é o verso mais bonito de qualquer fado.

 

                                           No CRF no dia 16 de julho de 2026


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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Uma turra! Quando olhamos dois gatinhos a acarinharem-se, o que é que sentimos? Estes gatinhos pretos passam o dia na rua. São respeitados e alimentados pela vizinhança. Há tranquilidade nestes dois seres. Sentimo-nos igualmente tranquilos de corpo e alma a olhá-los. É com a alma tranquila que experimentamos alguma coisa parecida com a felicidade. Porque a felicidade não é a soma dos prazeres e da riqueza, mas o estado de espírito de nos reconhecermos, de nos cumprirmos. Apesar da dor, podemos ser felizes ao atingirmos o cume de uma montanha ou simplesmente a dar de comer a dois negros gatinhos no meio da rua. Encontrar a serenidade dentro de si.

 




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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Há sempre novidades à nossa espera. Não é só no supermercado, ou nos programas da tv, ou nos resultados do futebol...Podem ser simples gracinhas da nossa criança ou do nosso animal de estimação, uma coloração mais rosada no céu ao fim da tarde, uma planta mais crescida que semeámos, um novo espetáculo no cinema ou no teatro, um novo livro no site da editora...Claro que as novidades nem sempre são boas, mas nós associamos (gostamos de associar) a palavra novidade (notícia nova) a coisas boas. Eu também gosto. Na história da humanidade também temos introduzido a novidade: do analfabetismo para a literacia, da superstição para a revelação, do mito para a filosofia, do trabalho manual para a industrialização, da ignorância para a disseminação da informação, da era do papel para a informatização, da repressão para a democracia...A novidade pode introduzir a festa...

 

















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terça-feira, 14 de julho de 2026

Eu nasci em casa. Não foi neste prédio da fotografia, mas qualquer casa é boa para nascer, ainda que o melhor seja numa maternidade. Onde comecei a falar? Provavelmente também em casa, porque o começo da fala é, como sabemos, um processo muito gradual nos primeiros meses e anos de vida. Mas que nascemos com uma disposição natural para sermos gramáticos, é verdade. Vamos aprendendo a combinar sons e sílabas, de início sem sentido, e depois vamos formando palavras significantes. Ou seja, somos seres portadores de um património de comunicação. Pelos vistos, os únicos seres com tal património de comunicação. Há quem diga que no futuro nem precisaremos de articular as palavras e emitir sons para verbalizar porque teremos a capacidade de ler/interpretar os outros e comunicar mentalmente com outros falantes...Sem silêncio não há som. Sem locução pode um dia continuar a haver fala?

 



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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Ao contemplar a beleza do mundo, diluímos a nossa individualidade, abstraímo-nos de nós próprios e imergimos no quadro natural que os nossos olhos reproduzem na nossa mente. Será que conseguimos permanecer no estado de perceção pura, de captação do indizível, numa expansão de consciência e ligação com a beleza mais subtil? O génio de espírito artístico consegue numa linguagem artística escolhida dar a sua visão da realidade, que pode ser apenas a captação de momentos fugazes. É a liberdade de ousar a eternidade.

 















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domingo, 12 de julho de 2026

E pede a palavra. Quando o mar traz notícias de longe, ele fala connosco. Ninguém o consegue silenciar. Só ele próprio quando está a gerar um poema, enamorado pelo céu, pelo sol, pela criança que brinca na areia. Ouvimos um sussurrar do mar no habitáculo do búzio e imaginamos o longe, o muito que o mar diz e nos dá. O mar não tem idioma porque é música universal, como o fado. No mar, o fado acontece. Rimos, choramos, meditamos, bailamos nas ondas, deslumbramo-nos com a sua canção sempre diferente e sempre tão próxima de nós. Somos grãozinhos de areia, pós de estrela, gotas de água, luz intensa a olhar o nascer, o viver e o renascer de cada um de nós, imenso cosmos.

 


















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sábado, 11 de julho de 2026

Como é ser outro? Um desafio que ajuda a perceber a realidade de se ser uma pessoa, única, concreta, na interação. As máscaras libertam de cânones e de normativos culturais. Questões de identidade que o outro ajuda a confrontar e a interpretar. É preciso sair da caverna das imposições. Será possível ser prisioneiro e carrasco ao mesmo tempo? A liberdade que tanto aspiramos espera pelo nosso discernimento, que tarda no emaranhado das emoções e contradições humanas. A arte vai deixando, aos poucos, entrar luz na consciência humana. Somos seres integrados no cosmos, afetivos e inteligentes que se interrogam para sermos um coletivo. O espetáculo das sombras, da luz, da palavra, da música, dos gestos, do olhar, dos silêncios...Show must go on.

 

















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quinta-feira, 9 de julho de 2026

A criação artística não é apenas uma inspiração feliz. Claro que é dela que todo o processo acontece (seja ele mais simples ou mais complexo). E a inspiração feliz desencadeia-se por um olhar, um pensamento, uma leitura, uma conversa, uma situação...A criação artística é solitária? Sim. Pode não ser durante todo o processo de criação, mas alguns momentos de reflexão precisam de recolhimento. Mesmo numa banda como os Beatles ou os Xutos & Pontapés que, calculo, conversem (conversassem muito). O que é que exige a criação artística? Imaginação, técnica, sensibilidade, originalidade, (alguma) formação (académica ou autodidata), genialidade, muito trabalho. E quando o(s) autor(es) dá/dão por acabado o seu trabalho artístico, ele ganha autonomia e passa a ser de um público que o olha e o recria pela sua (re)descoberta, numa atitude de apreciação, valoração, muitas vezes tornando-o intemporal e universal.

 






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quarta-feira, 8 de julho de 2026

A dinâmica da historicidade é captada pela consciência. Por isso, a mesma situação pode ter significados diferentes para cada pessoa e/ou adquirir um novo significado com o decorrer do tempo. Claro que há testemunhos que não são verdadeiros ou que resultam de fracas fontes de informação. A história do passado é consequente com o presente e o futuro. Por isso, é tão importante compreender o significado dos acontecimentos, sejam mais ou menos coletivos. A experiência de vida e de participação. Nós sabemos que há diferentes civilizações e culturas, mas há tantas vivências comuns como os nascimentos, a construção, a partilha, a morte, as memórias gravadas no tempo...

 

                                         As memórias/Rosa Maria Duarte/Óleo s/tela/55x46













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Pestanejo ao compasso do sentimento. E penso: como é bom partilhar contigo este riacho de indagações.

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