quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Fastread poetry

Nesta nossa Lisboa antiga

Uma calçada inclinada

parece colo de alabastro 

no olhar emotivo do poeta.

 

E os varandins iluminados

 já com aromas a consoada

são enfeitados de luz e anjos 

que enregelados pigarream

e as guitarras acompanham. 

 

Há toalhas dependuradas

à mercê da lua errante 

ficam brilhantes de frio 

adormecem ao fino som 

do familiar bairrista, o fado. 

 

 

 


segunda-feira, 24 de novembro de 2025

A anedota da Anne Bota

 

Uma amiga toca à campainha...

- Vem cá acima, rapariga!

- Posso usar o elevador, Pedro?

- Do teu prédio? Sim, claro. Aqui não... 

Quando ela chega ao andar de cima...

- Cansada? Aprecia...Nós somos aquela Lisboa, entendes? 

- Aquela Lisboa, qual Lisboa? Aquela sempre a trepar e sempre a pagar?

- Oh! Diz lá que não é sempre linda ?! :) 

 


quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Fastread poetry

Na esquina daquele momento

mais um instrumento do tempo

mede o breve intenso sentimento

a expectativa de um novo silêncio

a alegria de ser também espetáculo.

 

Um rosto macio de mais um dia

as mãos lavadas levadas acima

aguardam com pouco nervosismo

a altura certa de entrar e partilhar. 

 

As cordas desenham a melodia

são companheiras da gente atenta

é a leve comoção naquela espera

a voz feminina solta livre a pular

de colo em colo no olhar brilhante

a oferecer a poesia aos presentes. 





sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Fastread poetry

Ai, jovem outono

porque pousas lá no

meu quintalejo 

e no para-brisas

a repousares colado

empurrado abraçado

pela viva força do

vento vigoroso

a embaciares-me o

pensamento tonto

neste dia cinzento

a molhares-me o

olhar curioso 

contemplativo 

a lembrares-me a

melancolia das

folhas verdes 

pequeninas

quando sozinhas 

com medo de 

cair no chão...