quarta-feira, 10 de abril de 2013
a batuta do olhar: a minha primeira exposição plástica
a batuta do olhar: a minha primeira exposição plástica: Desenhos a pastel, ecoline, aguarela, lápis de cor e cera autora: Rosa Duarte
a minha primeira exposição plástica
Desenhos a carvão, pastel, ecoline, aguarela, lápis de cor e lápis de cera.
autora: Rosa Duarte
segunda-feira, 8 de abril de 2013
carta de um aluno anónimo
CARTA ABERTA AOS
PROFESSORES
Queridos Professores,
Ainda bem que existem.
Que seria de nós sem vocês! Mesmo quando nos queixamos, mesmo quando dizemos
que as aulas são uma seca, é na escola que mais aprendemos a ser capazes de
pensar e a desabrochar para a vida do dia a dia. Com deveres e direitos, claro, mas, acho, mais
destes do que daqueles. Na verdade, na escola, todos nos amam e nos protegem.
E, embora nem sempre admitamos por orgulho parvo ou não sei, cedo começamos
a perceber a falta que nos faz a escola, mesmo quando as férias são boas e não
temos muitas saudades do trabalho. Porque quando nos reencontramos é enorme
a animação e a satisfação.
Há muitos de vocês, professores,
que são fixes. E mesmo aqueles que chateiam demais e não sorriem, estão ao fim
e ao cabo sempre do nosso lado. Há um fraquinho latente no coração de cada
professor que se vai expandindo e os nossos encantos fazem o resto. Nós lá
estamos para o engrossar. Porque nós também aprendemos na escola a saber
cativar. Os professores e (alguns) colegas. Pois, os colegas são mais difíceis de cativar a sério,
porque falamos entre nós a mesma linguagem e, por isso, exigimos mais. Exigimos
brilhantismo e popularidade, o que não é para qualquer tímido ou para uma
distraída. Muitas vezes temos que alinhar em grupos. Falar por códigos. Fazer
cedências… Vestir à dread. Enfim,
começar a participar na vida ativa escolar, que tem as suas complexidades.
E depois era bom que
vocês, todos os professores, tivessem uma vida razoável e feliz para estarem sempre
sorridentes. Ou pelo menos calmos e predispostos a aturarem-nos. Nós sabemos
que saber muitas coisas não chega para alcançar o bem estar que todas as
pessoas precisam. Por isso, o trabalho do professor é também um grande desafio
ao seu crescimento ético e emocional. Palavras um tanto caras… Eu creio que vocês
aprendem muito connosco. O que me agrada muito. Mesmo quando não vos
facilitamos a vida. Eu penso que muitos compreendem o sentido das dificuldades,
para as poderem evitar. Por isso é que nós, alunos, gostávamos que os professores
se dessem todos bem e se sentissem felizes no seu local de trabalho. Tal como
vocês gostam que nós nos sintamos bem lá.
Um dia, será todo o planeta
a escola mais aprazível, porque nos sentiremos, em todos os
momentos do dia, e em todas as situações, em presença do valioso sentimento de apreço ensinado por vocês, queridos e inesquecíveis professores.
Um obrigado e até
sempre.
Laranjeiro, 8 de abril de 2013
Um aluno anónimo
sexta-feira, 5 de abril de 2013
o companheirismo a sério no trabalho
http://www.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&rec=19346
no Setúbal na Rede
UM DIPLOMA DE MÉRITO
PARA O MELHOR COLEGA
Eis a minha mais recente proposta para o Ministério da
Educação. Criar um prémio para o/a melhor colega docente. A ideia não é
original. Nem tão pouco inédita. Mas à semelhante do prémio instituído para o
melhor professor, sugiro um outro para a categoria de melhor colega. Não há
dinheiro para tantas ovações? Claro que não, mas a minha ideia não passaria por
um prémio pecuniário. Até por princípio da proposta…sabendo de antemão que
qualquer avaliação não é de todo isenta de subjetividade. Como qualquer
trabalho jornalístico. Só a Matemática pura, e mesmo assim…
Apesar de eu nunca ter sido defensora dos Quadros de Mérito,
porque são questionáveis pelos colaterais efeitos que estes surtem naqueles que
não são contemplados, até mesmo quando se premeia uma equipa ou um projeto, surgiu-me
a ideia do diploma de mérito para o melhor colega professor.
Creio que estamos de acordo quando se considera crucial
investir na educação das crianças e jovens. Eu diria que é o melhor investimento
social, a par da saúde. Que os professores são agentes essenciais para os
ajudar a desenvolver as inúmeras competências, penso que também é consensual. Mas
um mundo melhor, com sociedades mais conscientes e empreendedoras, só é
possível com seres humanos melhor preparados. Por isso, há que ativar todos os
mecanismos de incentivo ao aperfeiçoamento dos métodos dos seus principais
responsáveis educativos. Os alunos e os professores, neste caso. Daí, e com
boas intenções, terem surgido os diplomas do Quadro de Mérito para os alunos e o
prémio para o melhor professor. A contragosto, supostamente a pensar na
qualidade da educação, um e outro modelo de avaliação para afinar os parâmetros
das exigências aos professores, e tão discutíveis…
O que é que ainda falta pensar em prol da qualidade do
processo educativo?
O que falta é fazer com que todos os alunos sintam vontade de aprender e dar o seu melhor, não
apenas comos indivíduos, mas sentindo a responsabilidade de serem elementos de
um coletivo. Numa sociedade com proteção à família e não só… E fazer com que o
espírito de equipa seja também uma realidade entre todos os professores que proporcione o melhor que há em cada um
deles, procurando pela humildade a aprendizagem compartilhada.
É possível eleger o melhor professor que seja apenas bom
colega só para alguns?
Diz-me a minha experiência profissional que o melhor
professor se avalia pela sua disponibilidade comunicativa, com valores de
integração e inclusão condignas, com motivação para discutir projetos, métodos,
saberes, que saiba apreciar de forma construtiva o trabalho de todos e com
discernimento ético para atuar a favor da lealdade e da cooperação.
O excelente professor só pode ser aquele que saiba criar um
bom clima de trabalho à sua volta e que torne imprescindível a presença de
todos. Se o souber fazer entre pares, fá-lo-á seguramente no dia-a-dia do
trabalho com os seus alunos.
Na certeza porém que o mérito nunca é individual. Mesmo
aquele mérito que enfrenta dificuldades que são propositadamente colocadas.
Porque todo o mérito se fortalece nas adversidades. Sempre a aprender com os
outros, ainda que de forma inversa.
Por isso sugiro que seja instituído, a nível nacional, o
Diploma de Mérito para o Melhor Colega do Ano, de forma particular na classe profissional
docente, cuja condição única essencial para candidato seja a obtenção de excelente, atribuída obrigatoriamente por
todos os seus colegas de profissão
nesse ano letivo, na sua escola.
Acredito que é possível, de forma séria, eleger o melhor
colega professor do ano.
Rosa Duarte
no princípio era o som
Qual é o desafio? Fazer do sopro da vida o instrumento da palavra cantada e a partilha musical.
É a rendição ao desabrochar melodioso da natureza iluminada pelo ritmo dos pingos do orvalho primaveril.
Sentir? Sinta que queira.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
terça-feira, 2 de abril de 2013
um tempo sem memória
O TEMPO AINDA CRIANÇA
Está tudo bom, tia. A tia faz sempre comida com fartos
legumes. E discorria na mesa a circular com o olhar os nabos cobiçosos.
Esperemos que amanhã não chova. Ao palácio de Monserrate? O avô todos os finais
de verão nos levava a Sintra. Piquenicávamos por lá. No tempo ainda criança. Em
que tudo era com tempo. O passado recém-nascido na memória. Oito tugas armados em turistas enfiados num Ford Record
azul pró claro. Já nessa altura meio antigo. Os velhos apetrechados de tachos e
pratos de loiça para almoçarmos no parque de nenúfares. De Alcântara, seguíamos
pela marginal, olhávamos demoradamente o mar, as nossas familiares praias e
inaugurávamos as paragens na Boca do Inferno. À procura das rochas infernais
sulcadas por ecos do além que se espumavam pelas grutas bem bebidas de sal e
algas. Não comes mais? Olha a salada... A falada temível Boca do Inferno. E fotografávamos perspetivas quase arriscadas.
Com a mesma música oceânica uivada de fundo. Quase um sonido nostálgico
pianíssimo que me lembraria agora Bernardo Sassetti…
Éramos tantos. Nesse tempo ainda sem memória éramos mais. Com
o nosso pai. Uma mãe sem tempos marcados. Sem nostalgias. Acompanhados do Alex guitarrista de
serviço. A aprimorar. E eu a vomitar nas curvas. Daquela vez depois do Guincho.
Parámos e a ventania levou-nos até aos banhos. À boa fila. Numa batalha aquosa picada de
espuma. Os jovens mais velhos a arrear disparos a jato à chavalada. Pazadas a braços persistentes
e ao chutapé. Mal sabíamos o que era aquele frio. Neblina matinal perfumada. Bute
com os mergulhos. E os sapatos a navegar na subida da maré.
Molhados e mal sacudidos comíamos ao ritmo pausado do motor do carro. Umas
sandochas de ovo mexido. Num estômago bem remexido. Ares da serra a toque de
cólicas e um fado corridinho. Risos fartos e algum vomitado. Nos sacos preventivos, pois.
A praia? A nossa eleita era a das Maças. Com árvores, escorregas e balancés.
Com bandeira amarela era um pau pelo
olho. Uns baldes e pudins de areia, castelos para arruinar e o concurso de corpos
soterrados. Olhávamos o horizonte e avistámos na mente aventureira a praia
Grande, depois dos sinuosos atalhos pelas rochas sobre o mar.
Então e Janas? Paragem obrigatória. Colónia de férias Rogério Cardoso. Antes animado
com fogos de campo. Eu venho da
Califórnia tocando o meu pucarinho vou contar a minha história mais o meu
cavalo amiguinho… Espetáculos de diversões perdidos no rápido do tempo. Equipas,
miudagem e monitores. Caminhadas e cançonetistas. Capela, senhora e outras
vozes. Narrávamos o inenarrável. A alegria das coisas belas. Mesmo sentados no
chão rodeados de abelhas a provarem a nossa jardineira. No tempo em que eu
ainda comia a carne dos meus anónimos amigos animais. Aquelas frangas promovidas
a póneis. E me gravavam as unhas das enrugadas patas nas minhas pernas pequenas rechonchudinhas.
A cheirarem a pó da terra e a penas. A suave cacarejar com os mimos e a fecharem os olhitos.
Claro que revisitávamos as Azenhas do Mar. Tanto mar. Era o clímax no alinhamento do passeio
dos alegres. Na piscina de água salgada. À borla. Um miradouro azul a perder de vista.
Comíamos as sobras das sogras e das demais sanduíches. Às vezes rematava-se com
um geladinho. E rumávamos por Caneças fora. No instante do ovo novo aberto em
casa. Flashes e ideias do dia.
Ah, não esquecíamos as queijadas de Sintra. Se não, o motor
do motorista aquecia e ainda havia zangas e apendicites.
Ao jantar por fim em casa, sopinha de feijão encarnado com
hortaliça e pataniscas. Com música de farinha e tudo.
Os mouros, a Pena e o palácio da Vila eram visitas
clandestinas no intervalo das grandes sestas. O velhote gostava da boa soneca arejada
e rumorejada pelas folhas dos altos ramos. E delirava com a poesia da vida. Os
putos, nós, fazíamos explorações manhosas e recolhas selecionadas de insetos e outros viventes.
Quanto não valia uma boa soneca estival antes da silenciosa
e deliciosa viagem de regresso.
Bora lá?
2 de abril de 2013
Rosa
Duarte
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