Dia Mundial da Paz |
| Desde 1968 que se celebra o primeiro de janeiro como o dia mundial da Paz. Foi instituído por um papa, o Papa Paulo VI, e a sua intenção era alargar a comemoração a toda a sociedade das nações, religiosas e não religiosas. E parece que tal acontece.
A mensagem de Paz a partir da praça de São Pedro, em Roma, é habitual, mas este ano foi ouvida com particular ânimo porque o mais recente Papa, o Francisco I, no seu ainda curto papado, tem marcado a diferença na sua forma de pensar e agir. Para muitos, é já a personalidade do ano. Nesta era conturbada, um bom líder, ainda que religioso, ou porque é religioso, torna-se vital para o recobro das mais difíceis enfermidades humanas: discriminações, pobreza extrema, corrupção, perda de valores, terrorismo.
Há dias, fizeram-se alguns debates televisivos sobre o estado de guerra, o discurso de guerra e a ação de guerra em que o mundo se encontra. Recordou-se o exemplo de Nelson Mandela, até pelas exéquias fúnebres recentes. Não sei se em muitos mais eventos do Novo Ano se refletiu sobre a Paz, ou melhor, sobre a falta dela.
Assim, em cada novo ano civil, desde há quarenta e cinco anos a esta parte, é costume o Papa eleito escolher um tema específico para o seu discurso comemorativo do dia da Paz. Seria curioso consultá-los. Este ano o tema foi: Fraternidade, fundamento e caminho para a Paz. Aborda a ideia da educação para a Paz como caminho para a Fraternidade. A educação está subjacente a quase todos, ao longo destes anos. Quais têm sido os seus efeitos?
Se pensarmos sobre o conceito de educação, teoricamente definido como o processo que visa o desenvolvimento integral do homem, compreendemos que é um processo que implica não só o indivíduo, pelo seu esperado crescimento na responsabilidade e participação, mas naturalmente compromete o coletivo na sua ação.
A educação para a cidadania, parte pedagógica importante, deve encarar a temática da Paz sem mitos, sem mentiras, a favor do respeito, pela liberdade e pelo reconhecimento da ordem social regulada por leis, naturalmente com o direito à diferença.
Presentemente, a estrutura sociopolítica encara como prioritárias as atividades didáticas que determinam os resultados nos exames nacionais e nos rankings do sucesso académico. Nem que estes fossem, de facto, o garante da integração dos jovens no mundo do trabalho, não seriam bastantes para uma educação integral.
Em consciência, sabemos que o sucesso da educação só é verdadeiramente alcançado, quando é acompanhado de uma alfabetização cívica, cuja aprendizagem do bem comum é estruturante da autoconfiança e da integração social, desde os primeiros anos de existência como pessoas.
Educar para a Paz e para a Liberdade significa combinar o exercício de autoridade com uma grande disposição integradora e ética do educador, segundo normas compreendidas e aceites por qualquer grupo. Exercício esse que não pode restringir-se ao ambiente escolar, mas envolver toda a sociedade, nas inúmeras áreas sociais e políticas determinantes.
Assim, a participação escolar e social de todos os intervenientes não pode ser meramente formal. Deve ser estimulada pelos seus agentes e ter conteúdos reais para não cair na descrença e no fracasso, sabendo que, por exemplo, construir a paz não diz respeito apenas ao desarmamento e que há formas menos evidentes de violência que perpassam inúmeras situações do quotidiano, como são as agressões ecológicas, o consumismo desenfreado que atinge níveis de violência que levam à "pobreza a crédito", as múltiplas formas de discriminação, entre outras. Só pela ação transformadora da consciência social é possível mudar a mentalidade atual condicionada pelo mundo material, tornando possível a atitude concertada de comunhão num estado livre.
A educação para a cidadania, quase preterida nos currículos escolares, ao ser secundarizada compromete a aprendizagem dos direitos e deveres, o respeito pelo património, a cultura de paz, os direitos humanos, a diversidade social, a economia, a sexualidade, a democracia.
A participação dos educadores na procura de formas negociadas de resolução de conflitos educa para a tolerância e para a compreensão das condutas sociais que são práticas não violentas de convivência. O exercício de escuta (mas não de escutas, entenda-se) favorece a comunicação e a sinceridade, bem como o respetivo treino da capacidade de expor e argumentar e, naturalmente, a capacidade de ouvir os outros e de falar de si mesmo. A disponibilidade para ouvir os alunos é importante para os ajudar a construir as diferentes dimensões da sua pessoa.
Porque não podemos ou não devemos separar a instituição-escola da vida social, a atenção crítica deve dirigir-se para as novas realidades sociais.
É característica importante do terrorismo e da manipulação a forte capacidade de gerar intensos estados emocionais, tanto de afirmação como de divisão, especialmente entre a população potencialmente sofredora ou influenciada por aquele. Com efeito, em tempos de incertezas, de mudanças rápidas, os fundamentalismos parecem oferecer um tipo de segurança que é apreciada por muitas pessoas, sobretudo as que se encontram em zonas de exclusão social, algumas em situação de extrema pobreza e falta de perspetivas de futuro. São tempos de incertezas nos quais a retórica habilidosa pode desencadear um bem-estar psicológico perigoso, quando se perdeu o bem-estar material e social.
Por isso, a palavra educar é o principal verbo de Paz, que deve ser aplicado e reaprendido as vezes que forem precisas por todos nós, alunos-educadores que todos somos, para sermos os melhores nos rankings da escola da vida, que é pública porque é verdadeiramente irrevogável.
|
Rosa Duarte - 08-01-2014 09:37 |
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
crónica de opinião publicada no «Setúbal na Rede»
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
a batuta do olhar: artigo publicado no jornal «Rosa Maria» da Mourari...
a batuta do olhar: artigo publicado no jornal «Rosa Maria» da Mourari...: Nunca me deixarei apartar do fado (p.5) http://issuu.com/renovaramouraria/docs/jrm06_web_pg2
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
abraços natalícios
Queridos visitantes e amigos,
Desejo-vos nestes momentos festivos boa reflexão e conversa amiga com votos fraternos e pensamentos revigorados. Bom 2014. De coração aberto e mente afiada.
Sempre em melodia poética e sentimentos reinventados.
Abraços natalícios.
Desejo-vos nestes momentos festivos boa reflexão e conversa amiga com votos fraternos e pensamentos revigorados. Bom 2014. De coração aberto e mente afiada.
Sempre em melodia poética e sentimentos reinventados.
Abraços natalícios.
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
crónica de opinião publicada no «Setúbal na Rede»
EDUCAR PARA O TRABALHO
DE EQUIPA
Educar para o trabalho de equipa é um constante desafio. Pois
é sempre possível questionar as melhores estratégias quando da sua aplicação. Há
métodos já testados que seguem o padrão dos comportamentos grupais e que vão dando
resultados. Mas cada grupo é, de facto, único. Um governo, uma equipa de
futebol, uma turma, uma família, uma redação de jornal, uma firma…
Valores vividos e entendidos de forma pessoal, ou ainda por entender,
e que podem ser a força ou a fraqueza de qualquer empresa. Se existir uma séria
vontade coletiva, é uma força. Se houver uma expressão de poder ou de boicote a
sobrepor-se ao diálogo, é inevitável fraqueza. E isto quando não chegam algumas,
quem sabe premeditadas, “insolvências” prematuramente, porque o espírito de
equipa é corroído por negligências ou exclusivismos, e depressa chega aquele
momento em que os (outros) membros ambicionam a sua autossuficiência para
realizarem os seus próprios projetos. O que também faz parte do processo. É
pena é não se evitar o que poderia ser evitado: sucessivos períodos de crise ou
desaguisados. Há os conflitos que podem ser naturais, como quando os filhos se querem
autonomizar, por exemplo; mas há aqueles socialmente depressivos, no seio de uma
classe política ou de um clube desportivo…
Confiamos na nossa natureza gregária, o que é a motivação maior
para nos predispormos para o trabalho de equipa, não obstante sabermos que,
mais cedo ou mais tarde, há um preço individual deduzido, numa qualquer
situação. Por vezes até é diminuto…
Se nos perguntarmos: o que é que fazemos que não é, de todo, trabalho
de equipa? Ou, pelo contrário, o que é que o é, genuinamente? Julgo que ainda
dá que pensar…
Fernando Pessoa, considerado filósofo da humanidade, um dos
génios solitários da cultura portuguesa, não gostava que lhe pegassem no braço,
porque não se achava boa companhia. Ele queria ser sozinho. Tudo indica que a
vida logo de pequeno lho ensinou; daí sentir-se mais seguro na sua solidão e ter
aprendido a tirar partido dela. A sua escrita subscreve-o. Tinha amigos, pelos
vistos não muitos, e não estava de facto isolado do mundo. Mas fez do ato
solitário da escrita o seu principal passaporte de participação social.
Na época deste poeta, na África do Sul do
início do séc. XX onde fez os seus primeiros estudos, não sei que dificuldades ele
representaria como aluno para os seus professores. Parece que também não
gostava muito da atividade física. O certo é que os professores de hoje ainda continuam
a ser confrontados com alunos que preferem desenvolver trabalho individual.
Alguns desses alunos até são de temperamento razoavelmente sociável. Será que equacionarão
as fragilidades das regras instituídas para o trabalho de grupo? Ou será sobretudo
pelas frágeis condutas não regulamentadas, muitas e variadas, que nunca se quer
denunciar porque são tão mesquinhas quanto quem do grupo as ouse denunciar?
Claro que um chefe de Estado não costuma revelar publicamente
as pressões de que é vítima por parte de certos grupos económicos. Um aluno
evita denunciar os abusos de um colega. Um trabalhador procura desembaraçar-se
sozinho das dificuldades que certos colegas seus intencionalmente lhe colocam
no caminho….
E esta é a história da Humanidade. Há quem a conceba como uma
espiral. Outros por ciclos. Dois passos à frente e um atrás. Ou vice-versa. Quem
compare os homens aos caranguejos dentro dum balde: quando um começa a subir há
sempre algum que cuida de o puxar para baixo.
Apesar de tudo, educar continua a significar dar a alguém os
cuidados necessários ao desenvolvimento da sua personalidade e faculdades. O mesmo
é dizer que, se aprendemos uns com os outros, intencionalmente ou não, estamos
numa permanente dádiva mútua de experiências e saberes. Mesmo que os métodos nem
sempre sejam os mais pedagógicos ou legítimos.
Vamos mantendo a predisposição inata para a cooperação. Ao
longo das diferentes eras da nossa existência, alguma educação necessariamente já
adquirimos ao longo da história das civilizações. Mesmo que não seja o espírito
de equipa o forte da raça humana, pode ser que um dia o venha a ser… Pelo menos
tem despertado com vigor em situações extremas.
Entretanto, nós, educadores de profissão, cá vamos humildemente
fazendo também por contribuir para a aprendizagem em grupo, na medida em que
nós mesmos queremos (des)aprender.
Há dias deixou-nos um dos grandes defensores da Causa
Educativa, Nelson Mandela, mas o seu legado continua mais atuante que nunca: “A
educação e o ensino são as armas mais poderosas que podes usar para mudar o
mundo” (inscrição mural no Bairro da Quinta da Fonte, em Loures). Um comovido
agradecimento pelos seus sábios ensinamentos.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
