sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Amália gostava de flores. Estas flores são para os meus filhos na Holanda.

 Estas flores são aragens de Portugal nos campos coloridos da Holanda.







As flores ao vento
Rosa Maria Duarte
Óleo s/tela
50x70




 Amália amava a natureza.










quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O meu avô materno de nome João da Silva

João da Silva
Pai da minha mãe
Década de 40 (?)


Da esquerda para a direita: a minha tia Maria, a minha mãe, a minha tia Isabel e a minha tia freira
Estavam aqui de luto


O meu avô materno

João da Silva foi um cidadão exemplar. Resineiro de profissão, nasceu na Vide, concelho de Seia (nas vendas do outro lado da ponte velha) e casou com uma rapariga muito vigorosa, a minha avó Ana de Jesus que também era da terra, da Ervideira.

Ele próprio construiu a casa na Quinta da Melroa, na Vide, para onde foi morar quando se casou com a minha avó Ana de Jesus, que ainda hoje é a mesma (onde passamos férias).

Tiveram 4 raparigas e, entretanto, desistiram do rapaz. A minha mãe, que era a 3ª na linha de sucessão, veio com a família para Lisboa, para zona de Alcântara, quando tinha oito anos. Ainda chegou a ser aluna da mãe do Almeida Santos, que era professora lá na escola primária da Vide.

A minha avó veio servir para Lisboa e conheceu a minha futura sogra (sem o saber) nessa casa.

O meu avó era um homem calmo e muito acarinhado pelas filhas. A minha avó também era muito amada pelas filhas e pela família, mas já era de um temperamento mais estóico e disciplinador. Havia quem dissesse que era um tudo-nada ciumenta pelo jeito sedutor do meu avô.

O meu avó era habitualmente bem disposto, sorridente, gostava de dizer graças, mesmo quando a minha avó já estava a zangar-se com as brincadeiras; era bom conselheiro, amigo da casa e da família.

Era um bom português, a favor da justiça e do trabalho, e só se foi abaixo quando a minha avó morreu. As filhas nessa altura cuidaram ainda com mais afinco dele. Todas elas. E ele repetia: «Tenho saudades de quando vocês eram pequenas.»

O meu avó chegou a estar à beira da morte uma ou outra vez, com infecções, ainda em vida da minha avó. Mas era um homem muito resistente. Um republicano de grande fibra. Fazia anos a 5 de outubro. Como era feriado, tinha que pagar sempre uma rodada aos vizinhos e amigos mais próximos. Normalmente tinha visitas nesse dia.

Quando ele já tinha oitenta anos, eu já era adulta, verifiquei que ele tinha um pouco de febre. Eu disse à minha mãe: «É perigoso na idade dele. Mesmo sendo pouca.» Foi medicado. O meu filho mais velho, o Daniel, ainda chegou a conhecer os bisavós. Subíamos os degraus do Beco do Sabugueiro até ao nº 12. A minha avó numa cadeira. Cumprimentava-nos com a mão esquerda. O meu avó no pedaço de terreno em frente da casa a cuidar dos chuchus.

Morreu poucos meses depois da minha avó.





terça-feira, 4 de outubro de 2016

Fernando Pessoa e a Teosofia

"Ver-se como à natureza: olhar para as suas impressões como para um campo - a sabedoria é isto." p.224, Livro do Desassossego, Assírio & Alvim