quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A anedota da Anne Bota

- Olha para ti, Anabela?! Continuas a não me ligar nenhuma. Estou para aqui a falar para o boneco. Nesta caso, para a boneca...

- Querido, agora sou toda ouvidos.

- Bem...uma boneca feita só de ouvidos... Que cena! Tipo personagem de um filme «Annabelle 5. A Audição Malvada»??

- 😕







terça-feira, 3 de outubro de 2017

Um cafezito com a progenitora. Agradável companhia.









Votos de um bom dia de alegre outono.

- Ó chuva, onde andas que ninguém te põe a vista em cima?

- Estás a topar-me ao longe? És um humano garoto maroto! Sabes, o sol já não é uma estrela muito jovem. E pediu-me mais uns dias para arrumar as suas tralhas. Vai para o Brasil daqui a uns dias.

- Uns dias? Ainda lá não está?

- Nem sei. Acho que ele anda a esticar-se!  


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

- Sou uma pessoa bem disposta e depois?



Era uma vez uma senhora bem disposta. Nem era pessoa de falar pelos cotovelos, mas gostava de tratar todos por igual.

Felizmente podia estar à vontade porque o marido, casamento de longa data, conhecia bem a sua natureza e não a reprimia nem a apressava quando conversava. Ele gostava que ela o acompanhasse. 

Num espaço público, muitas vezes era ele que iniciava a conversa com quem estava. E olhava para ela a convidá-la a participar.

Este casal tinha características muito próprias, mas dava-se bem. Ele agia com orgulho na sua companheira e o mesmo também acontecia.

A vitória de um deles, era festejada com uma gratidão partilhada.

Um casal que dava vida ao amor e ao companheirismo.





A anedota da Anne Bota

- Ontem, foste ao jogo ou votaste?

- Eu? Fiz as duas coisas. Porquê?

- É pá. És como as mulheres, consegues fazer mais do que uma coisa ao mesmo tempo...

- 😟?


domingo, 1 de outubro de 2017

Vem comigo voar de costas

Queres vir comigo até ao berço do mundo?

Levo-te comigo num sonho de menina
para partilharmos esse tempo levezinho
do mundo infante azul marinho de céu e luz
a cheirar a verde de algas e girinos cegos
tão mexidos como olhos puros inquietos
curiosos à procura do majestoso génesis.

Queres seguir-me pelo som puro da descoberta?

Boa. Eu também vou afinar esta voz boca
libertar os meus braços e as pernas esguias
limpar a cor de pele marcada pela paixão ao sol
e preparar-me para saltar contigo livres e loucos
a solta queda no vácuo de todos os sons macios
o acontecer oxigenado pela doce maresia.

Não tens medo de vir e voar de costas, assim?

É que, vês, vamos como que navegar de costas
no ar para lá do que somos agora de quem somos
seja lá o que isso seja ou isso queira significar
faz de conta que somos pessoas caladas que alguns
queriam silenciadas para não contarmos a versão
do nosso olhar que é nosso porque é humano.

Porque te ris dessa maneira tão tua a olhares-me?

Continua. Ri-te à vontade comigo de mim sem mim 
Ri-te sorri-te arrepia-te delicia-te com cada olhadela
vaga com tempo de agulha na bússola movida a fé
cheia de perfumes limpos e bebés brilhantes de vida 
afeiçoados à explosão de fogo de água de terra e de ar 
pulmão sentimento tão elementar nas costas do presente.

Rosa Maria Duarte



De baixo para cima...