quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Queres pensar comigo XXIII

- Queres pensar comigo?

- Gostava muito, mas este calor atrofia-me as ideias.

- Está, de facto, um calor fora do comum. Estas variações de temperatura repentinas dão-nos cabo da clareza de raciocínio.

- Mas fala, amigo. Para me distrair, por favor.

- Não preciso de falar do que é importante e que salta à vista como as alterações climáticas preocupantes. Nem das limitações do homem perante este e outros fenómenos. Gostava de falar contigo sobre o mar.

- Bonito. Parece que vais falar em poema.

- A vida é um poema. Nós somos pó de estrelas, água do mar, sopro divino na energia kundalini e algo mais...

- Parece que me estás a revelar a receita de Deus quando nos criou.

- Não a conheço para a enumerar. Ninguém a conhece a rigor. Ainda que nos saibamos multiplicar com mestria. 

- É o riso de Deus, no seu melhor. Ele ama-nos e dá-nos vida incondicionalmente.

- É verdade. Conheces «O Riso de Deus» de António Alçada Baptista? Ele diz-nos que a letra de Deus nem sempre é decifrável e que ninguém conhece a língua em que escreveu a nossa alma. Haverá talvez nostalgia na sua obra...

- Achas? Só se Ele sente uma saudade idealizada por uns filhos virtuosos que ele desejaria que fôssemos...

- Talvez sim, talvez não. Se fôssemos perfeitos, Deus não precisaria de pôr à nossa disposição o livre arbítrio. Pelos vistos, faz parte do seu propósito pôr-nos à prova para nos ajudar a perceber melhor a nossa centelha divina.

- Achas mesmo que temos uma centelha divina? Então quer dizer que todos nós seremos um dia, necessariamente, muito mais do que somos hoje.

- Eu acredito que sim. Cada um a seu ritmo, naturalmente. É que somos um céu num mar imenso de beleza, alimento e vida.


A anedota da Anne Bota

- Estou sim? É da Proteção Civil?

- Não, minha senhora. É do Jardim Zoológico.

(volta a marcar o número do sms rececionado)

- Está lá? É da Proteção Civil?

- Não, não. É do Hospital de Santa Maria.

(suspira e volta a marcar)

- Estou...? É da Proteção Civil?

- É da Praça de Touros.

- Irra!!! Agora vai às cegas!

(digita com dificuldade uns quantos digitos)

- É da Proteção Civil?

- É sim, minha senhora. Faça favor de dizer...Estou sim...?

(a minha senhora cai entretanto para o lado de exaustão)




A anedota da Anne Bota

- O que achas da minha casa nova? O prédio é antigo.

- Very cool! Uma casa junto do fado. O teu sonho. Quanto pagas?

- Eu não vivo cá. É só um negócio em sociedade de alojamento local.

- Hã? Mas já andas de túnica...Quando é que vais mesmo para a missão na Guiné?


quarta-feira, 1 de agosto de 2018

«Eu canto em qualquer lugar... Cantar é bom», Celeste Rodrigues, fadista nascida no Fundão...

...«in Memoriam»


Obrigado.

Levanta o olhar e sente o céu

Nós somos muito fortes
tão fortes que perdoamos
tão fortes que discordamos
tão fortes que até amamos
quem se esquece da amizade.

Entre nós não há ternas derrotas
somos serenos olhares perscrutadores
corações corajosos que enternecem
os silêncios de jovens inocentes
ao despertar com o amanhecer.

Deus toca os tímidos corações
sonhadores qual suave pássaro livre
de um Homem maior todo-justo
que olha por ti e te beija assim
dois passos do caminho a percorrer.

Puxa! Puxa! Estás quase lá, amigo
Estamos aqui. É só respirar e andar!

Levanta o olhar e sente o céu.

Rosa Maria Duarte