sábado, 6 de dezembro de 2025

O nosso conto de Natal...

...escreve-se todos os anos, frequentemente por esta altura, quando refletimos sobre as escolhas que vamos fazendo, dentro de muitos condicionalismos, como a nossa cultura familiar e social, as nossas experiências ao longo do tempo, a nossa sensibilidade, a nossa personalidade... 

Somos projeto, construção, potência, possibilidade...A consciência de escolher quem vamos sendo desenvolve-se quando percebemos que somos fundamento de valores. Não escolhemos ser livres, mas a liberdade, independentemente das nossas escolhas, é uma realidade.

Nascemos um pouco todos os dias. Morremos um pouco todas as noites. A nossa casa ancestral está para além dos nossos sentidos. É a nossa origem divina. 

                                     Olá mãe/Rosa Maria Duarte/Óleo s/tela/55x46





quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Amália Rodrigues dançando ao som de uma guitarrada...

 Fado do Natal

Letra: Rosa Maria Duarte

Música: João Maria dos Anjos 

Fado caído p´la chuva

nas ruas, carros, pessoas

é pobre mendicidade

É árvore só e viúva

suplica olhar lagoas

O natal fraternidade.

 

Velha pedinte, que triste!

Qualquer coisa nos comove

O Natal, ou é pobreza
Nos teus olhos secos viste?

Luz da nobreza encobre

És velhinha da limpeza.



Filas, músicas, pedir
Alguém nas mãos o calor
Não moedas, mas sorrisos
De amor? um canino a ir

Patinhas a dar amor

Amizades paraísos.

 

Amália Rodrigues e o fado/Rosa Maria Duarte/óleo s/tela/55x46




segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

O nascimento do crepúsculo

 Somos livros ambulantes

desfolhados pelo tempo 

nem sempre emocionantes

e cheios de esperanças vãs 

uns grandes outros pequenos

magros gordos medianos

nem sempre bem vestidos

com mais ou menos posses 

desenhamos com gestos

mentais no papel no teclado

os nossos pensamentos

os pensamentos de alguém

inspirações neo-criativas

nem sempre reconhecidas

nascimentos crepusculares

fluidos ruídos sensitivos 

doloridos assertivos adotivos 

em que talvez acreditemos

e debitamos naquele olhar

no viajar sem fronteiras

por mar terra ou devaneios 

refazendo pontes diversas

falando para os outros

decalcamos o que somos

mesmo sem o percebermos

viajamos sós com companhia

as palavras cheias de tinta

ou simplesmente abraçados

a um fundo de ninguém

intermitente luz de ecrã

bebés nascidos das ideias

palavras velhas novas leite 

paridos por mãos humanas

ou inteligências artificiais.