domingo, 24 de maio de 2026
sábado, 23 de maio de 2026
Fastread poetry
Foi ontem ao fim da tarde.
Cumprimentámo-nos com alegria.
Estamos um pouquito diferentes...pois,
para melhor, claro. Dizemos com sorrisos.
Sentámo-nos aos poucos sem lugares marcados.
E já sentados à mesa continuámos a conversar.
Já lá vai um ano, pois, como o tempo passa.
O tempo é sempre um TGV e um bom tópico
sobre o calor que está, mais as memórias de celeiro.
Algumas turmas, o quotidiano, visitas de estudo...
E que tal a saúde? Ah, boa, uns episódios a acrescentar.
Estamos animados, uns mais novos do que outros...
O que tens feito? Ideias não faltam, sonhos duradouros...
Muito trabalho alguma cultura alguma liberdade reformas
Muitos a família a ginástica as leituras a hora de jantar.
Há música nas vozes que se misturam em timbres alegres
risos gestos amigos cadeiras em movimento copos em alta
talheres nos pratos braços de alcance nos pratos servidos
Sobremesas coloridas e despedidas. Beijinhos e até breve.

sexta-feira, 22 de maio de 2026
Mais um dia, mais um serão, numa das muitas carruagens do comboio do tempo. E é com música que vamos questionando o amor, a saudade, o sentido da vida...a relação uns com os outros. A liberdade. O fado é existencialista, cristão, ateu, filósofo, poeta, pescador, sonhador. Reconhecer e ser reconhecido pelos outros não é vaidade, mas condição intrínseca ao ser-se. O outro não deve ser alguém que cria limites à liberdade, mas a oportunidade de cada um se reconhecer com dignidade. Quando nos reconhecemos iguais em dignidade e distintos, então se desenvolve a consciência ética. Na reciprocidade, tornamos o mundo melhor. O olhar pode devolver um sorriso. Não nos podemos ignorar. Somos salvos uns pelos outros, se quisermos. Na ação livre e responsável, a beleza de se ser pessoa ajuda a construir a missão coletiva existencial...
quinta-feira, 21 de maio de 2026
Somos água, com muita água... Seremos um rio que corre incessante, símbolo da passagem do tempo, do fluxo das emoções, instável por vezes, imparável, irreversível? Ou seremos mais uma piscina esguia ou quadrada com o nosso interior a refrescar-se dentro dela? As nossas águas têm um tempo lento que se renovam diariamente, ao ritmo do crescimento próprio ser humano. Não há azul verdadeiro na água da piscina, nem no rio nem no próprio mar; como nós, apenas reflexos do exterior do céu e da biodiversidade... Com sombras e luz. Todos dias um pouco diferentes, um pouco surpreendentes, contraditórios e coerentes, sempre carentes de um novo dia, até um dia...ou talvez não...
quarta-feira, 20 de maio de 2026
Ainda é primavera. Os dias estão a aquecer e as noites também. Dias longos. Talvez vá dando para conversar um pouco mais...O que se conversa depende do interlocutor, da circunstância, do estado de espírito...A verdade é que o ser humano ainda é um mistério. As flores são previsíveis. E nós? Somos constantemente surpreendidos pelo outro e, até, por nós mesmos. Não somos previsíveis, como se calhar gostaríamos de ser (ou talvez não...). Somos um comboio de genes que transporta as características biológicas. Apesar das nossas limitações, ainda assim há sempre momentos em que acabamos por surpreender. Transformamos certas fraquezas em força futura. Aprendemos e ensinamos. Eis o nosso maior valor.
terça-feira, 19 de maio de 2026
Fastread poetry
Vês-me aqui ou não és tu?
Estamos talvez em contra-luz
sem nos vermos um ao outro
Se calhar em contra-mão
Será que estás a contra-gosto
A conversar sobre nada?
E porque não em contra-capa
no livro da tua difícil vida
que estás para aí a escrever
talvez em forma diarística
um diário da pandemia e
mais um da pós-pandemia
Num debate permanente
Entre ser personagem escrita
Ou apenas narrativa privada
No prédio alto onde escreves
À sombra da palmeira defronte
Em meditação solene ao divino
Estás em saudação ao por-do-sol
E um OM de infinita sonoridade
ligação-regresso à noite silenciosa
A oração à mãe e ao pai do universo.










