Lança as tuas mãos ao leme.
Não hesites. Não te deixes levar...
Não tenhas demasiado medo...
Somos frágeis pequenos marujos
de vidas soltas aos avanços recuos
em casas flutuantes de palavras
à procura de um novo poema.
Não somos donos só inquilinos
dentro deste pequeno barco
sonhadores nas águas do mar
com nevoeiros no pensamento
nem todos nós sabemos pescar
famintos de tudo e de quase nada
ainda há quem não saiba nadar
e se esqueça de viver o momento
mas a vida é um ato de conquista
por mares e ventos e costas
penínsulas e serras e rios
a prendermos o nosso olhar
a prendermos o nosso coração
à melodia da maresia de cada fado
qual gente bronzeada pelo sol
a conduzir o seu anónimo destino
sempre com os olhos postos
no mar lavrado em espumas
de cascos escurecidos p'lo tempo
à espera de um novo porto
seguro maduro para ancorar...



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