quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

discurso no dia do lançamento do «Fado Firmado»

BOA TARDE A TODOS.

É COM GRANDE ALEGRIA QUE ESTOU HOJE AQUI COM VOCÊS, MAIS UMA VEZ NUM ENCONTRO FADISTA, EMBORA AGORA COM UM POUCO MAIS RESPONSABILIDADE, E COM MUITO GOSTO.

COMEÇO POR AGRADECER A TODOS A VOSSA PRESENÇA, AQUI NESTE AGRADÁVEL RESTAURANTE, COM MUITO APOIO DEMONSTRADO. NATURALMENTE AO SENHOR PAULO PELA AMÁVEL HOSPITALIDADE NA SUA TÍPICA «A MURALHA» E AOS SEUS SOLÍCITOS FUNCIONÁRIOS.

AGRADECER AINDA, E EM ESPECIAL, AO VITAL D’ASSUNÇÃO, GRANDE VIOLISTA, COMPOSITOR E LETRISTA, NETO DO GRANDE MARTINHO D’ASSUNÇÃO E O PRODUTOR DOS MEUS DOIS CD’S, AO FILIPE LUCAS, EXCELENTE MÚSICO E GUITARRISTA, ERUDITA FORMAÇÃO MUSICAL, AO LUÍS HENRIQUES, O NOSSO INCANSÁVEL TÉCNICO DE SOM E FILHO DO JORNALISTA E ESCRITOR MÁRIO VENTURA HENRIQUES E AO JOAQUIM RIBEIRO, GUITARRISTA CONVIDADO.

MUITOS JÁ ME CONHECEM HÁ MUITOS ANOS. OUTROS HÁ MENOS. SOU UMA PESSOA DE BONS PRINCÍPIOS, COM PREOCUPAÇÕES FORMATIVAS. E GRAÇAS AO FADO  ALIMENTO ESTA MINHA COSTELA CRIATIVA E MELANCÓLICA, AO MESMO TEMPO QUE ME PERMITE APROXIMAR CADA VEZ MAIS DAS MINHAS RAÍZES.

O MEU LEMA É: CANTAR E NÃO JULGAR. APENAS APRECIAR.

O FADO MORA COMIGO DESDE SEMPRE. MAIS A SÉRIO, OU SEJA, A CANTAR EM PÚBLICO, HÁ POUCO MAIS DE DOIS ANOS.

JÁ ERA UMA FÃ INCONDICIONAL DE QUASE TODOS OS GÉNEROS MUSICAIS. NÃO SÓ DE ASSISTIR A FESTIVAIS E CONCERTOS DE MÚSICA DE ESTILOS DIVERSOS. MAS O FADO FOI GANHANDO UM ASCENDENTE ÚNICO SOBRE MIM.

COMO NASCEU O PROJETO DESTE SEGUNDO CD?

COMO O PRIMEIRO. QUASE SEM QUERER. TINHA UM NOVO REPORTÓRIO QUE GOSTAVA DE REUNIR. O VITAL ACHOU QUE ERA UMA BOA IDEIA GRAVAR E AVANÇÁMOS.
NESTE 2º CD CANTO UM TEMA SEU, QUE É PRATICAMENTE ORIGINAL, E QUE SE CHAMA «QUANDO PARTIRES», COM LETRA E MÚSICA SUAS.

NO PRIMEIRO CD, SÓ ESCREVI UM TEMA ORIGINAL, QUE DEU O TÍTULO AO CD: FADO QUE CURA. EU SEI QUE O GRANDE PÚBLICO GOSTA DE TEMAS CONHECIDOS, POR ISSO APOSTEI  EM FADOS MAIS TRAUTEADOS.

ESTE 2ºCD INTITULA-SE «FADO FIRMADO» E É A PROVA FIRMADA DO MEU AMOR AO FADO.
CONTÉM DOIS FADOS ORIGINAIS NAS LETRAS QUE SÃO DE MINHA AUTORIA: O FADO RODRIGO E O FADO DO ARTISTA.

ESPERO PODER CONTINUAR A ESCREVER E A CANTAR, SE POSSÍVEL COM APOIO DA MINHA FAMÍLIA, DOS COLEGAS, DOS AMIGOS E DO PÚBLICO EM GERAL.

ACHO QUE GOSTAVA DE TER UM PADRINHO OU UMA MADRINHA DE FADO, MAS AINDA NÃO SE PROPORCIONOU.

O INSTRUMENTO HUMANO QUE É A VOZ TEM NATURALMENTE CARACTERÍSTICAS PRÓPRIAS. NO MEU CASO, A MINHA VOZ, QUE TEM MAIS GRAVES QUE AGUDOS, TEM UMA PARTICULARIDADE CURIOSA, QUE O VITAL JÁ TEM MENCIONADO: É UMA VOZ QUE LEVA MAIS TEMPO A AQUECER, MAS DEPOIS MANTÊM-SE SEM SE NOTAR CANSAÇO.

DE TAL MODO QUE, DURANTE A GRAVAÇÃO DO 2ºCD, NUM OU NOUTRO TEMA, EU FICAVA COM A IMPRESSÃO QUE CONSEGUIA FAZER MELHOR E QUERIA REPETIR O FADO. MAS O LUÍS DIZIA, QUE É PROFISSIONAL DE SOM: - ELA QUER MAS É CANTAR!

BEM, VOU INICIAR ESTA MINHA APRESENTAÇÃO DO CD PRECISAMENTE COM O TEMA DO VITAL «QUANDO PARTIRES».

(MAS ANTES VOU DAR A PALAVRA À MINHA ESTIMADA COLEGA FÁTIMA CAMPOS QUE ME CONHECE HÁ MUITO E VAI DIZER UMAS PALAVRINHAS).

DESDE JÁ, MUITO OBRIGADO POR NÃO TEREM DEIXADO DE VIR. 
A VOSSA PRESENÇA ALARGADA HOJE TEM UM SIGNIFICADO ACRESCIDO PARA MIM...COMO MUITOS SABEM BEM!

                                             3 de DEZEMBRO de 2014 / RESTAURANTE TÍPICO «A MURALHA»

                                                                       Rosa Maria Duarte

 
 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

«Fado Firmado» hoje às 18 horas no restaurante «A Muralha», Alfama

   Olá.
    Sim, é hoje.


   Até logo às 18h?


   Obrigado :)


   Rosa Maria Duarte                                   

sábado, 29 de novembro de 2014

Essa ferramenta-mãe chamada memória


O TEMPO DAS HOMILIAS PARTILHADAS 

Perdoem-me esta evocação do passado. Eu que até nem costumo prender-me demasiado ao passado, porque procuro investir no presente e no futuro, mas dei por mim há dias a contar ao Manel as minhas memórias quase inéditas ao longo destes anos do Grupo de Jovens da paróquia de S. Pedro de Alcântara. Num tempo pós-25 de abril.

Narrativas que são passaportes no tempo. Se tivesse aqui uma guitarra e quem a tocasse, tentava contá-las em verso. Assim confidencio-as sem compasso. Em duas palavras escorreitas. Como se tivesse apressada por ter a matéria para dar à espera…

Tinha então pouco mais de 10 anitos. Aproveitando o entusiasmo da minha irmã mais velha e as suas ideias de convivência com a malta do bairro que ia à catequese, fui percebendo que a igreja não eram só silêncios, missas cansativas e rituais repetidos.

Havia, na altura em Alcântara, muitos jovens como eu, sobretudo mais velhos, que tinham conversas giras e procuravam conviver fora dali.

Os adultos, que vieram mais tarde a ser especiais amigos, alguns eram professores das escolas da zona. Um deles, o Carlos, foi professor da minha irmã na Ferreira Borges.

Foi um período de muitas atividades comunitárias, de reflexão, ensaios musicais e outras. E um diácono extraordinário, o João Afonso, que conseguiu convencer o nosso inflexível pai para um retiro de 3 dias em Sassoeiros, Oeiras, alegando que era muito importante nas nossas vidas. E foi-o, deveras!

Agradeço este texto a esses meus amigos, quantos deles já não vejo há muito! E à ferramenta-mãe de que me sirvo e que é essencial a qualquer escritor: a memória.

A memória que muito já se estudou e disse. E muito ainda está por dizer e apurar. Porque há memória sensorial, visual, poética, factual…sempre criativa no seu complexo potencial que é sempre individual e dinâmico!

E, continuando, nessas vivências de grande intensidade comunicativa, comunitária e ritualística, percebi então que a religião é o que podemos pensar e agir em interação comprometida e aprofundada.

Os jovens ativos daquele grupo viveram grandes tempos de mudança do 25 de abril, únicos, conturbados, mas maravilhosos. E passaram a questionar os rituais do Catolicismo.

Os privilegiados, que fomos da revolução, pudemos pensar em mudar regras. Algumas ainda que temporariamente.

Uma delas foi a homilia convencional que passou a partilhada.

O padre Ernesto, mais novo que o padre Alfredo da paróquia, embora com um consentimento protelado, acabou por conseguir dizer missa só para o grupo de jovens, na sala de cima das reuniões, que consistia em ler uma passagem bíblica devidamente preparada e depois partilhar a palavra, abrindo o debate sobre o tema da narrativa ou parábola, num timing acordado que era mais ou menos respeitado. E mais as mãos dadas durante a oração, mais as saudações na «paz esteja convosco», mais a hóstia recebida na concha da mão, cânticos com músicas pop e letras inéditas…mudanças que em boa parte se mantêm e são hoje um dia a dia convencional alargado, que nem se pensa na história da sua conquista.

Passado pouco tempo, o padre Ernesto foi transferido.

O padre Alfredo ainda me casou e batizou os meus filhos, mas entretanto morreu.

A minha tia Conceição, freira, mestra-superior da família, e de tantas outras, também.

Mas todos continuam vivos naquilo que deram e ensinaram. E nas palavras que os recordam.

As palavras têm o dom de não deixar morrer os sentimentos e de dar fala ao silêncio.

As palavras são assim: despertam a música que há entre nós. A elevação de sermos.

                                                                          Alcântara, 29 de novembro de 2014

                                                                                            Rosa Maria Duarte



 

 

 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Parabéns, Alentejo!

Eis que finalmente foi a vez do Alentejo. Rosto trigueiro dourado no alto telúrico dos cantes na Senhora da UNESCO.

Assim é que eiii, compadres. Chiçã, já nã era sem tempo.

Eu cá nã nasci no Alentejo, bem entendido, mas que tenho lá a minha raiz bem portuguesa, é uma grande verdadi.

Ai Zequinha se fosses vivo! Até te balançavas no meio dos altos coros.....................

Venham de lá essas gargantas regadinhas do bom azeite e pomada de boa cepa!

E Mais: o cante alentejano não pode ser acusado de culto da personalidade, ora bem...pela simples razão que não há vedetas, só há gente aquecida pelo ombro cantadêro, pois atão. Melhores músicos só os do instrumento humano.

Força, pessoali do mê coração!

Poetas da Vidiguêra e Florbelas do Fado em tom Maior: PORTUGAL NO MUNDO.

Vamos embora Pacheco, que se faz tarde.
Brindemos, porra, que as (a)migas são de coentrada. À Nossa, comadres.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

um inofensivo esclarecimento...


A LITERATURA É FADO

NÃO HÁ FADO SEM POESIA.

E A POESIA É A FORMA EXCELSA DE FAZER                 LITERATURA CANTADA

EM VERSO E EM PROSA.

                       QUANTOS ESCRITORES, PINTORES E ARTISTAS DE OUTRAS EXPRESSÕES SE DEDICAM

A RETRATAR LISBOA E O SEU FADÁRIO RIBEIRINHO?

E QUEM DIZ LISBOA,

                                           DIZ COIMBRA E OS SEUS AMORES DO MONDEGO,

A ZONA DO PORTO E OUTRAS GENTES VAREIRAS,

                                                                                 O ALENTEJO E OS SOBERBOS CANTARES,

E TODOS OS LUGARES AQUÉM E ALÉM TEJO, EM TODO O PEQUENO GRANDE

                                                             PORTUGAL.

 

A LITERATURA PORTUGUESA É A AMANTE DO FADO.

 

QUEM RECLAMA O FADO, DÁ SOM À POESIA.            E QUEM DEDILHA A VOZ,

                                                 PLANGE UM FADO.

 

A ESTÉTICA LITERÁRIA SENTE              E              DESCREVE A MELODIA DA PALAVRA EM

 NÍTIDAS  PINCELADAS NUMA VIDA SONHADORA.

              INVESTIGAR UM UNIVERSO LITERÁRIO, É SER ARREBATADO POR ELE. 

                                   A CUMPLICIDADE ENTRE NÓS É O FADO.

 

E NÃO HÁ FILTROS OU CÂNONES SOCIAIS QUE ROUBEM O FADISTA
                  AO FADO E A QUEM O OUVE.                            

                                                                                                             
                            

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

crónica de opinião publicada no «Setúbal na Rede» e no «Diário da Região»

Educação
por Rosa Duarte
(Professora)


Nas escolas, os rapazes são sobretudo vítimas do bullying homofóbico

Há dias, depois do noticiário das oito da noite, estava sentada no sofá da sala em frente ao televisor, quando apanhei a meio uma reportagem sobre jovens em risco. Hesitei, mas acabei por me prender (é que são sempre impressionantes de tão reais…). Não me acrescentou muito ao que já sabia, mas ouvi com apreensão as atuais estatísticas que apontam o suicídio como a segunda causa de morte dos adolescentes, liderada pelos acidentes de viação.

Infelizmente o problema do bullying não é um problema social só da atualidade. Apenas se tornou mais visível pela sua ação de combate. A importação do termo é evidentemente mais recente do que os maus-tratos verbais e físicos infligidos aos seres vulneráveis, que são menos iguais, dentro e fora do nosso país.  
 
A denúncia é a atitude acertada no sentido da sua resolução, para que melhor se possa ajudar com experiência e eficácia. Os casos mais complicados, que demoram a ser detetados, são aqueles que habitualmente são minimizados e descredibilizados pelos habilidosos agressores que procuram por todos os meios influenciar o ambiente humano à volta, com o intuito de neutralizar possíveis queixas ou sinais dados pela vítima, derrubando quaisquer intenções de denúncia. E os próprios, com vergonha ou medo, deixam-se andar, às vezes preferindo convencer-se de que os outros é que têm razão, e autoinfligindo-se. Ou então esperam, quem sabem em vão, resolvê-los por conta própria.
 
Os mais vulneráveis, sabemos, são os menos experientes, logo os mais jovens. Mas não apenas necessariamente… Quando se quer agredir, mesmo em idades mais avançadas, basta acionar um mecanismo gradual de isolamento social para a pessoa em causa. E assegurar o seu ostracismo distorcendo a imagem social dessa pessoa, afim de secar quaisquer tentativas do próprio se defender, pondo-o a ridículo. O requinte pode levar à nomeação de um pseudoamigo para se aproximar e vigiar os pensamentos da vítima, conquistando-lhe a amizade e construindo um disfarce de igual vítima dos mesmos agressores, mostrando-se afável publicamente para sanar qualquer suspeição de coação psicológica ou agressão verbal. E isto foi-me retratado por uma jornalista idónea, com quem converso regularmente, e está a fazer o levantamento de situações como estas, reais, nas escolas e na sociedade em geral, entre alunos e não só…
 
É certo que a vida tem adversidades para todos e que a sobreproteção também pode ser um problema quase tão grande como o bullying. Que muitas vezes é uma reação natural, ainda que excessiva, de controle e proteção contra, nomeadamente, o bullying. Há pais, e sobretudo mães, que querem tanto aos seus filhos que não os deixam lidar eles próprios com as situações adversas, quando até certo ponto são próprias do processo de integração e crescimento desses jovens. E não sabem, os mesmos pais, como intervir na medida certa no momento adequado. O apoio especializado (médico e pedagógico) é fundamental e deve estar o mais acessível e divulgado possível, sobretudo em cada comunidade educativa.
 
Com filhos únicos e crianças com alguma debilidade, registam-se sensivelmente mais situações de superproteção que, mais tarde em adultos, se vão traduzir por uma adaptação mais lenta a situações sociais novas, com uma menor preparação psicológica para os embates mais inesperados do quotidiano. Os desgostos amorosos são exemplos sintomáticos. Vários exemplos reais poderiam aqui ser citados, mas basta referir o conhecido personagem Pedro da Maia na obra-prima de Eça de Queirós, Os Maias, que é uma real caricatura social de um tipo de educação à portuguesa, segundo o olhar atento e crítico do seu autor sempre atual.
 
Embora cada vez mais os pais estejam cada vez menos disponíveis para acompanhar os filhos, melhor ou pior na sua educação, devido em particular ao aumento de horas de trabalho, a verdade é que a sua experiência de vida os tem apetrechado e aproximado dos mesmos, pois eles já têm a experiência do ambiente escolar e, muitos deles, em ambiente urbano e populoso. Muitos pais percebem que a prática de atividades extracurriculares ajudam os seus filhos a acrescentar mais competências ao seu desenvolvimento, sejam elas físicas, emocionais, artísticas e/ou outras. O interesse pessoal é um bom ponto de partida para a autoimagem e deve ser encorajado. E desenvolver talentos pessoais fortalece os vulneráveis e desmoraliza os agressores. Reforça a autoestima e ajuda à integração social. E essa ideia que, erroneamente, se quer passar de que há pessoas com excesso de autoestima, não é de todo verdadeira. Quem investe mais na sua afirmação pessoal, pode ser mal interpretado e dificultar o seu papel de interação social, mas é indubitavelmente um claro sintoma de que há carências que precisam de ser superadas. Talvez haja, sim, mais autoconfiança.
 
Hoje é muita a informação. Há já ações de ajuda para o bullying (embora não as necessárias...) Há mais comunicação entre as escolas e os encarregados de educação.
 
Então o que é que falha?
 
É ainda necessário um processo educativo alargado a todos os educadores (que devem estar atentos), dentro e fora da escola, que liberte a nossa cultura de preconceitos e de ações de rejeição, nomeadamente das atitudes homofóbicas imaturas frequentes, fruto de uma mentalidade ainda estigmatizada por um passado repressor.
 
É que os nossos jovens rapazes continuam a ser as principais vítimas do bullying homofóbico.


Rosa Duarte - 12-11-2014 08:58

desenho a lápis de cera
autoria: Rosa Maria Duarte
 

[Setúbal na Rede] - Nas escolas, os rapazes são sobretudo vítimas do bullying homofóbico

[Setúbal na Rede] - Nas escolas, os rapazes são sobretudo vítimas do bullying homofóbico