quarta-feira, 29 de abril de 2015

crónica de opinião publicada no «Setúbal na Rede» e no «Diário da Região»

 

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Fronteiras


O tema “fronteiras” é atualíssimo. E atentos, elementos da equipa de investigação coordenada pela Professora Maria Fernanda de Abreu do Centro de História d’Aquém e d’Além Mar (CHAM) organizaram recentemente um Simpósio de três dias (20, 21 e 22 de abril) na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas para debater “Fronteira, Cosmopolitismo e Nação nos Mundos ibéricos e Ibero-Americanos”. Foram momentos de relevante partilha e reflexão.
Sabemos que o fenómeno da globalização reacendeu as questões prementes sobre as regras da emigração, o cosmopolitismo do pobre, o conceito de nação nas suas mais recentes definições… Estas e outras questões foram desenvolvidas pelo Professor e escritor Silviano Santiago na Conferência Plenária de Abertura no primeiro dia do Simpósio, que contou com a presença de figuras como Eduardo Lourenço e José Carlos de Vasconcelos.
Já há 24 anos, o economista e escritor espanhol José Luis Sampedro discorria publicamente sobre o conceito multidimensional de fronteira e sobre a autoria humana das linhas fronteiriças que delimitam o conhecimento, para classificar e identificar o que se entende.
É que a ideia de fronteira pode estar contida em cada palavra e, no plural, erguer fronteiras no mundo da literatura.
A fronteira pode ser encarada como uma porta ou como uma muralha.
Há aqueles que fazem das fronteiras uns altos muros para manter e assegurar o afastamento e a separação daquilo que está do outro lado. Preferem abdicar da liberdade para se esconderem no que julgam ser a sua segurança. Veem a fronteira como uma ameaça porque imaginam o inimigo do outro lado.
Mas felizmente há outros que decidem olhar a fronteira como um convite à descoberta e ao enriquecimento. Esta atitude, no curso do tempo, tem criado possibilidades de evolução na realidade fronteiriça, nos seus vários níveis: social, económico, psicológico, histórico, geográfico, artístico, etc.
Numa atitude de solidariedade, que sempre foi uma emergência nos movimentos migratórios das populações, constata-se cada vez mais a necessidade de soluções concertadas. O próprio desequilíbrio atual das condições do planeta, pela exploração desmedida dos seus recursos naturais, exige um crescente sentimento solidário de empenho e de redistribuição constante de bens.
O nosso mundo está mais anão porque o ranking das telecomunicações exige inovação e concorrência crescentes. E nenhuma cultura pode ter a veleidade de se apartar dos prós e contras dessa realidade proglobalizante.
O lugar que habitamos tornou-se pequeno demais para fazermos vista grossa aos problemas uns dos outros. Mesmo com a consciência de coletivo a teimar pequena…
Há uma culpa agravada nos casos recorrentes de tráfico de emigrantes, que tem enxovalhado indesculpavelmente o rosto das nações. As fronteiras podem e devem ser locais de encontro para o diálogo. Os riscos, em desespero de causa, só se evitam com a atenção institucional à altura.
Não somos todos pobres aldeões deste casario global?
Não é fácil acolher a emigração e legislar em conformidade e concertadamente sobre as necessidades de cada comunidade nos diferentes continentes, sobretudo dos mais carenciados. Mas é uma prioridade de topo. O cidadão não é apenas uma preocupação do seu território. É uma urgência na dignidade conjunta dos povos, ou se quisermos, uma obrigação holística, como é defendido pelas ONG’s.
Será que, sociologicamente falando, o fenómeno da globalização acentua sentimentos, recalcados ou não, de preserva xenofobia e suas variantes?
Refugiados, bichos da terra tão pequenos, no progresso científico e tecnológico que cada dia está mais veloz e absorvente, a boa sabedoria dos povos continua subvalorizada e atrofiada nalgum convés qualquer sobrelotado no Mediterrâneo, a reclamar um pouco de ar e de luz séria de ação humanitária.
Sentamo-nos à espera que chegue a necessária vontade política ou que passe a nossa de reivindicar?
Criança de 74, eu ainda acredito na fronteira que liga a democracia ao esforço comum. É o magnetismo dos cravos colhidos em cada abril e que para longe fazemos por arremessar…

Rosa Duarte

Professora e mestre em estudos portugueses
Rosa Maria da Silva Candeias Tavares Duarte nasceu em Alcântara. É investigadora do CHAM e professora de Português. É mestre em Estudos Portugueses e desde 2010 doutoranda na FCSH em Línguas, Literaturas e Culturas, na área de Estudos Literários Comparados. Fundou dois jornais escolares. É conhecida no meio fadista como Rosa Maria Duarte. Tem dois cd's editados: “Fado Que Cura” e “Fado Firmado”. O seu blogue pessoal é “A Batuta do Olhar”. É casada e tem dois filhos.

sábado, 25 de abril de 2015

«porque não posso falar contigo?»


A VOZ DA LIBERDADE EM PORTUGAL

O 25 de abril de 1974 valeu, sem dúvida, a pena.

E por muito que nos custe, porque podíamos estar melhor do que estamos hoje, o facto é que qualquer revolução não se basta a si mesma. Precisa de alimento diário, incentivo e renovação constantes.

Não podemos dizer que já de nada serve reafirmar a festa dos cravos e manter esperança no futuro.

Se há muito a fazer, mais uma razão para concertar esforços e convicções.

Ontem, por exemplo, ouvi um pouco do testemunho da atriz Giuseppa Apolloni sobre a sua histórica dedicação à causa das mulheres. Admirável!

Todos nós merecemos o respeito do outro, homens e mulheres.

Mas na realidade, a sociedade portuguesa precisa de dar uma atenção própria às mulheres.

Na liberdade de expressão e comunicação. Na dignidade como cidadãs, mães, esposas, irmãs, colegas, amigas. No seio da sociedade. Do casamento. Do trabalho. Da família...

Quantas vezes se rouba a palavra a quem tem algo a dizer.

Quantas vezes se limita quem tem algo para dar.
 
Quantas vezes se tenta diminuir quem tem o mesmo valor.

O silêncio é de ouro, mas sobretudo para elevar o coração ao som do fado.

Não como uma imposição. Não como uma repressão.

«Ninguém é de ninguém» canta-nos João Pedro Pais.

Ninguém tem autoridade moral ou afetiva sobre um cidadão livre e honesto, seja qual for o laço parental ou social, por via da repressão.

E a conspiração e a difamação têm que ser severamente combatidas para proteger a liberdade individual, que é o garante da liberdade social conquistada.

Assim prevaleça o discernimento para as detetarmos e neutralizarmos a tempo...
 
Vamos falar sobre isso?

Lisboa, 25 de abril de 2015

Rosa Maria Duarte
 
 

 

as claves em flor

as palavras pintadas em som de fado e revolução
 
 
 
 
 


quinta-feira, 23 de abril de 2015

viva a liberdade!

   A liberdade a passar pela arte.
título: a liberdade
rosa maria Duarte
tela, gouache e carvão

 

domingo, 19 de abril de 2015

Para o Daniel Duarte da Holanda

título: Para o Daniel Duarte da Holanda
autoria: a mãe
colagens, tela e têmperas

Este quadro é dedicado ao meu filho Daniel e à Martinha que estão em Utrecht, na Holanda, a fazer investigação académica e a cultivar no seu jardim jovens tulipas graciosas.
 
Obrigado também ao meu filho Artur pelas suas tulipas holandas na nossa varanda bem portuguesa com canteiros de rama verde e sardinheiras.
 
As tulipas são a natureza na arte universal do recorte na cor e senhoras de água.
 
Muitos beijos com sabor a fado.
 
Rosa Maria Duarte

 


o fado em celebração

Estive lá...e gostei. Obrigado.
foto de Ferdinando
 

sábado, 18 de abril de 2015

prenda de anos

Título: Prenda de anos
autora: a mãe
tela e têmperas
 
 
 
Ao meu filho Artur, que faz hoje 24 anos. Desejo-te uma vida cheia de cores bonitas, filho.
 
A maternidade é a melhor prenda de anos.