quinta-feira, 26 de abril de 2018

O naufrágio das guitarras no Cabo da Boa Esperança

    (...) Então Adamastor, de olhos encovados e dentes amarelos, disse-nos: - «Ó gente ousada, que quereis navegar meus longos mares e ver neles os segredos escondidos, tereis pelo vosso sobejo atrevimento um duro e eterno castigo.»

   Logo que contou estes fados, as nossas valiosas guitarras afundaram-se o mais que puderam naquele azul imenso.

   Ainda que assustados, alçados respondemos: «O teu fado, estupendo e maravilhoso Gigante, é o amor pela beleza que está cercando estas águas.» 

   Súbito, espantado com a nossa sentimentalidade, Adamastor fez soar uma trinada melodia de muito fundo das águas tocada nas nossas guitarras naufragadas, que gemeram elevadas um choro de profunda amizade e  de aceitação do convite para ficarmos e ajudarmos o pobre apaixonado a contar e a cantar casos humanos futuros.

Adamastor e as guitarras
Rosa Maria Duarte
Óleo s/tela
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quarta-feira, 25 de abril de 2018

Queres pensar comigo XV

- Achas que se o Homem fosse menos inteligente seria mais honesto?

- Nós só somos verdadeiramente honestos quando escolhemos ser honestos. Não somos honestos porque não conseguimos ser desonestos. 

- Então a atitude honesta implica consciência?

- Nós somos educados para sermos honestos. E a honestidade torna-se a prática do nosso dia-a-dia. Podemos ser honestos, ou devemos ser honestos, sem o premeditarmos. Sempre honestos. Vamos sendo educados para distinguirmos a honestidade da desonestidade. Uma criança só é desonesta quando já atingiu a maturidade suficiente para compreender que está a ser desonesta.

- Mas, depois, temos alturas em que não o somos completamente e agimos como se fôssemos.

- A honestidade em cada situação pode não ser sempre de entendimento inequívoco. As diferentes culturas nas relações sociais e familiares balizam o conceito de honestidade.

- As tentações são testes à honestidade de cada um?

- Acabam por ser, de facto. Não há nenhum ser humano sem fraquezas. As tentações podem ter como resultado o fortalecimento do caráter individual ou, pelo contrário, o erro consciente.

- Quem erra mais: as pessoas mais ou menos inteligentes?

- Não conheço estudos sobre essa matéria, em específico. À partida, os mais inteligentes deveriam conseguir mais facilmente evitar o erro. Mas os menos inteligentes não saberão criar, provavelmente, tantas oportunidades de alcançar algo, logo, de errar. É um assunto que não permite dados para uma opinião muito segura. Como o povo diz: «cada caso é um caso.»

- Então a outro nível: quando Fernando Pessoa diz que as pessoas que menos pensam são as mais felizes, é uma afirmação menos rigorosa?

- Fernando Pessoa diz: «...julgando-se feliz talvez». O pensamento não é, de facto, sinónimo de felicidade. Ainda que saibamos que um raciocínio claro possa permitir discernimento e melhor adaptação à realidade.

- Isto é: ser inteligente e gostar de pensar não dificulta a construção do bom caráter e a conquista da felicidade?

- Eu diria que só se é honesto quando se tem a capacidade de entender o valor dessa prática de honestidade. E só se conquista a felicidade quando se reconhece o bem ao seu alcance.

- Quanto mais evoluído o Homem for, melhor ser humano poderá ser?

- Acho que sim. Se por evolução humana não nos ficarmos pelo progresso e implicarmos nessa evolução o mais importante: a sua compreensão cada vez mais integral do que é uma vida com qualidade.




Abril cravos mil

Lá diz o jovem ditado: 

«ao cravinho e ao borracho, põe Deus liberdade com despacho».








Flor de abril
Rosa Maria Duarte
Óleo s/tela
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terça-feira, 24 de abril de 2018

Onde é que estavas no 25 de abril?

http://memoriasdarevolucao.pt/index.php/dias-memoria-da-revol/historias-e-memorias-da-revolucao/305-onde-e-que-eu-estava-no-25-de-abril-retrato-de-um-sentimento-em-flor-rosa-maria-duarte

Eu quase que entrevistei o jornalista que eternizou a pergunta «Onde é que estava no 25 de abril?».

Armando Baptista-Bastos, jornalista e escritor, foi companheiro de luta anti-fascista de José Cardoso Pires, Urbano Tavares Rodrigues e tantos outros.

Na década de 80, o Círculo Juvenil de Cultura, a que eu pertencia na altura, convidou Baptista-Bastos para um evento cultural na Junta de Freguesia da Ajuda, que incluía uma feira do livro e de artesanato. Baptista-Bastos compareceu e manifestou-se muito agradado com o convite. Foi um gosto privarmos com ele.

No início da década de 90, na escola secundária Moinho de Maré, em Corroios, lancei o jornal escolar «O Celeiro» em parceria com os colegas Jorge Morais e Isabel Lima. O número zero do jornal, com apresentação pública, contou com a presença de Baptista-Bastos, na sua qualidade de jornalista e escritor. A última página deste número de lançamento contou com uma apresentação deste nosso convidado.

Há cerca de cinco anos atrás, Baptista-Bastos mostrou-se disponível para que eu o entrevistasse no âmbito do tema da minha tese de doutoramento sobre o fenómeno da criatividade literária. Ficou adiada, por razões várias...

Onde é que nós estávamos no 25 de abril de 74?

'uma papoila crescia, crescia, grito vermelho num campo qualquer'

segunda-feira, 23 de abril de 2018

A anedota da Anne Bota

- Mais uma semana de trabalho. Uf!!

- Ah, mas nesta semana há um feriadinho.

- Pois é...bendita revolução. O que é que vais fazer nesse dia?

- Vou as comemorações do 25 de abril.

- E se estiver calor?

- Vou às comemorações.

- E se trovejar?

- Vou às comemorações.

- Isso é que é espírito de revolução!

- Sou jornalista. 

- Ah!!!

- Mas a minha família não é e também vai. 

- E eu que não sou da tua família? 

- Vens trabalhar comigo.

- 😶 ??



domingo, 22 de abril de 2018

Conhece o teu sisu...

- Como está o teu sisu?

Pois é...não é um animal de estimação nem uma palavra secreta.

É uma palavra finlandesa que não é traduzível por um sinónimo em português, dado a sua grandeza.

Sisu - a Arte Finlandesa de Viver com Coragem de Joanna Nylund foi hoje a nossa breve leitura da hora do almoço. Foi uma boa oferta.

O sisu, que é a força da consciência para a ação, afirma-se quando os desafios são mais rigorosos. 

O sisu vai crescendo no nosso interior. Há nele a força e resiliência de cada um nós que se manifesta na serenidade da conquista. 

Ou seja: com o sisu, continuamos sempre a caminhar, mesmo quando o cansaço nos quer afrouxar ou parar.

- Então...como está o teu sisu?





  

Um brinde ao Artur