segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Queres pensar comigo XL

- Bom dia, amigo.



- Olá. Então já pediste a dupla nacionalidade?



- Estou a ponderar seriamente…



- Hã? Eu acho que estás ainda com esperança de que não haja, de facto, saída…



- Pois estou. Eu pensava que estávamos unidos…



- Eu percebo, mas também temos que respeitar a vontade de cada povo.



- Sim, claro, mas aquele povo está mais esclarecido agora. Eu acho...



- Talvez. Mas não quer dizer, necessariamente, no sentido de preferirem a permanência.



- Pois não, mas há sempre essa hipótese. É que nós somos um velho continente com muita coisa vivida em conjunto. As ruturas com graves consequências, pá, não são muito próprias da nossa malta!



- Pois…



- Claro que também não pode haver acordos que favoreçam mais quem sai do que quem fica. Afinal quais são os princípios basilares da união?! Olha assim a nossa condição económica portuga fosse tão boa…



- É verdade. Preparados para tudo, amigos. Na boa. Numa família todos contam. E repara que os britânicos de cá nem querem pensar em voltar.



- O culpado é este sol maravilhoso, não é? (esfrega as mãos). Grande amigão!

domingo, 20 de janeiro de 2019

A anedota da Anne Bota

- Hoje vamos falar de Sophia, meninos. Todos já devem conhecer...

- Claro, senhora professora.


- Ainda bem… Qual foi o livro que mais gostaram? Foi «A Menina do Mar», Ruizinho?


- Minha senhora, eu ainda não li nenhum livro dela, mas sei que é muito inteligente. Ela até já fez um spot publicitário com o melhor jogador do mundo!



Quanto vale cada palavra em cada pensamento sereno? Talvez o olhar valha pouco mais...

Tertúlia «Os Parras» em Vila Franca de Xira

sábado, 19 de janeiro de 2019

“Escada de Ouro”, um documento divulgado por H. P. Blavatsky no século 19.

"Vida limpa, mente aberta, coração puro, intelecto ardente, clara percepção espiritual, afeto fraternal para com todos, presteza para dar e receber conselho e instrução, leal senso de dever para com o instrutor, pronta obediência aos preceitos da Verdade, corajoso suportar das injustiças pessoais, destemida declaração de princípios, valente defesa daqueles que são injustamente atacados e mira constante no ideal de progresso e perfeição humanos que a ciência sagrada revela – eis a escada de ouro por cujos degraus pode o estudante galgar o Templo da Sabedoria Divina."

(Helena Blavastky)


A Escada de Ouro constitui uma espécie de “resumo das regras a serem seguidas” pelos aspirantes ao discipulado da tradição esotérica oriental.  Trata-se de um texto breve e decisivo, que os aprendizes costumam memorizar para inspirar a sua prática diária.

A Escada de Ouro
Rosa Maria Duarte
Óleo s/tela
55x46











Pensamento do dia

Não te esqueças que somos saltimbancos do tempo. Hoje cá, amanhã nunca se sabe...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

A anedota da Anne Bota

- Mãe, já te informaste sobre as novas retenções?
- Não me digas que me estás a preparar para o teu chumbo?
- Qual chumbo?! Caramba! Estou a falar das retenções na fonte…
- Ah!! De facto, hoje quando ia a caminho do mercado, reparei que a fonte continua seca...e depois aumentam-nos as taxas da água, do IRS…
- Parece que vai descer…
- O meu ordenado, filha?


Crónica «Dia de Reis». Como é que foi o vosso?

Dia de Reis
 
Enquanto passeavam os três reis magos nas ruas da Moita, em Sesimbra e outras mais localidades, uma montra cheia de doçaria na baixa de Corroios refulgiu e remexeu-me com este simples pensamento: a quem é que saiu a fava neste dia de reis do ano de 2019 nos muitos belos bolos-reis de aquém e além-mar, nosso Tejo, Sado e afins?
Vai na volta (e passa a outro e não ao mesmo), é então isso: sai sempre ao Zé povinho. Toca a pagar.
Mas temos um bom tesoureiro: quem elegemos, pois está visto. E é com este nosso espírito coletivo da ‘coisa pública’ que vamos sobrevivendo com trocados num bolso cheio de direitos e deveres.
Porque a romântica monarquia, só a queremos nos bolos e nas dinastias da História de Portugal.
O bolo-rei, esse, convém que esteja coroado e a gosto, com os ingredientes q.b. do costume. E para quem não gosta muito do dito majestoso mais convencional, a monarquia liberal ainda oferece outras opções: o bolo-rainha, o bolo-príncipe. Até ao momento.
Enfim, uma família real pasteleira que serve o propósito de lembrar os senhores da história sobre o encantamento natalício, cheio de generosidade e presentes perfumados, valiosos e espirituais à medida, como é de muita cortesia humana: o incenso, o ouro e a mirra. Que para o divino menino, nada menos. Porque a desejada divina fraternidade só alguns de nós vai, de facto, tocando...
E se da monarquia ainda falamos por cá, é especialmente daquela com reis sem coroa. Reis de consagração e com alguma discussão: o rei da luz, o manda-chuva, o rei do rock, o rei do fado, o rei do gado, o rei da selva, o rei do tacho, o rei dos mares, o rei da bola, o rei do sapateado e do manguito...
Um Zé Povinho que ainda não está cansado de fletir o braço. E assim que há qualquer coisa a chatear: - Toma lá!
Porque o Zé Povinho é amigo do seu amigo e acha que (ainda) há muito para acertar. Vai à escola e já sabe o que é uma vida digna.
O Zé Povinho é bom aluno e já aprendeu o que é a democracia.
Gosta da bola, mas também do amor ao próximo e do progresso.
E põe-se à conversa, é certo, na brincadeira e na caricatura política.
Agora coroas, só se forem de bom metal e sem espinhos.
Rosa Duarte
 
 



Reportagem 'in loco'
Rosa Maria Duarte
Óleo s/tela
55x46