quarta-feira, 4 de março de 2015

crónica publicada no «Setúbal na Rede» e no «Diário da Região»

http://www.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&rec=22503

Educação
por Rosa Duarte
(Professora)
      

Acabar de vez com os adjetivos

 
Hoje em dia não é fácil escrever sem carregar nos condimentos adjetivais. Ou argumentar sem colecionar estufas de adjetivos. Ou ser promovido sem uma conduta proadjetival. E sem consumir doses diárias não recomendadas de adjetivos numerais.

Os sentidos subentendidos são também muitos apreciados, qual estratégia para ajudar a baralhar e a não pensar. A clareza das frases está moribunda (como aquela d’ “a qualidade da educação determinar a moral do cidadão e da sua nação”; esta já quase que era…).
 
Tudo muda a todo o instante. O bom aluno de hoje é o mau aluno de amanhã, ou vice-versa. E ninguém chega a saber o porquê, claramente. As ideias sinceras ficam para depois. Talvez no último suspiro ou, quem sabe, num banquinho de réus…
 
Porque o coração tem as suas razões e a razão continua a desconhecê-las. Vivem-se tempos estrategas de austeridade cada vez menos comunitária.
 
É o sopro ao ouvido para criar expectativas … São, no mínimo, apregoadas e estranhas pedagogias: “Portugal seria um bom aluno, se conseguisse boa nota”. Temos pena!
 
Assim se dá como aberta a caça engenhosamente malabarista ao trabalhador honrado. Autênticas perseguições do tipo auto-de-fé com rituais duplos de adulações e prepotência maniqueísta.
 
 E a culpa mais à mão aponta geralmente os mass media. Que tem levado tudo a perder. Que precisa de levar por tabela à conta das corrosivas técnicas do marketing, das campanhas eleitoralistas, das paixões desportivas, dos interesses economicistas, dos comentadores quase políticos…e então programas?… chega de Grandes Irmãos…
 
Ao fim e ao cabo, um país à mercê do produto humano poderoso que espelha uma vontade em rede e escolhas em cada perfil marcelista (convenhamos que nem todas as escolhas boas precisam de ser más).
 
As audiências revelam-se fracas quotas no convívio português. Com alguma sorte, há um auditório diferenciado com preocupações de alinhamento diário na família, curtos tempos de antena disponíveis e algum fôlego para a recarga do indivíduo por si.
 
No meio de tanta informação e conversa, mesmo para quem não percebe nada de psicologia, vai apanhando a diferença entre repressão, bajulação e descontentamento.
 
Vá lá que hoje em dia os conflitos são mais progressistas. Que na sociedade das nações as batalhas hodiernas são mais diversificadas e extremistas. Ora dizimam populações com chaimites. Ora sugam a identidade e a liberdade com discursos gaseificados, ludibriadamente visionários e compassivos.
 
A arma vital ou letal, como queiramos, da comunicação consegue ainda mais façanhas bélicas, com tipos de munição verbal de última geração. Em cada investida, disparam uma miríade de interpretações e conjurações.
 
Então, o que nos vale são os mais afoitos, que são ou vai ou racha: desembainham exércitos de verbos para lutar contra os discursos enfeitados de companheirismo, e procuram incansavelmente desviar o alvo a abater que, inteligentemente, é tão somente a histórica humanidade. Será que há algum deus que nos valha?
 
Ainda temos a medicina… Que em qualquer consulta médica, perante tal diagnóstico, o conselho parece ser uma campanha de higienização discursiva e ética. No mínimo, uma remoção aturada das cáries mais antigas e, nos casos graves, a desinfestação e desbaratização dos dizeres inflacionados ou conspirativos.
 
Para baratezas, já nos bastam os espíritos descontinuados. Como os materialistas desgovernados Sanchos Panças.


 

Rosa Duarte - 04-03-2015 14:06

[Setúbal na Rede] - Acabar de vez com os adjetivos

[Setúbal na Rede] - Acabar de vez com os adjetivos

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

«...mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia»

«...mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia» (José Saramago)

O nosso olhar é uma passarola insaciável que canta do alto a gente urbana de Lisboa.

Deslumbra-se com a pulsação das estrelas, avistando o mundo de uma janela entreaberta ou da fachada de um prédio. Quais troncos da nossa cidade.

À beira-mar estendido, o olhar brilha no silêncio do fado, sente a poesia da vida e verte em gotículas de comoção o sonho de ser mais além.


                                                            Composição fotográfica de Jaime Esteves.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Conversar...

Olá, amigos.

Pensamento do dia:

Sou uma pessoa do presente. Claro que fruto das boas recordações que guardo ao longo da minha vida até hoje.

Sou tranquila e sinto que tenho o que preciso. O que faço para além das minhas responsabilidades diárias, são um complemento artístico que reforçam a minha atitude.

Gosto de desafios. Por isso é que os meus poucos adversários (que parecem atentos aos meus movimentos) são um incentivo, sem querer, para eu continuar a trabalhar cada vez mais e melhor e a ultrapassar as dificuldades a cada dia.

Dizia José Cardoso Pires que as "arrelias" o empurravam para o trabalho.

Compreendo que, às vezes, os preconceitos e a insegurança levem a atitudes menos amigas, mas podem ser graves quando ferem os Direitos Universais do Homem.

Afinal estamos cá para aprender e defender os menos protegidos, que às vezes somos nós próprios.

Afirmava José Luis Sampedro que os erros são causados pelas leis humanas que limitam a boa conduta social.

Sempre procurei ser boa aluna na escola. Hoje continuo a procurar ser boa aluna na faculdade da vida.

Não sou aquilo que os outros querem que eu seja, mas quem eu acho que vou querendo ser. Que sou no respeito que tenho pelos outros..

                        Fotos inéditas amavelmente cedidas pelo filho do Mário Ventura (2º à esq.), o Luís Henriques Ventura

Partilhar em família...

Ser dócil, mas não submissa.

E atenção ao pessoal que impinge ideias e "envenena" os espíritos.

A liberdade é quando temos a força de sermos nós próprios. E o nosso valor reside nessa capacidade de afirmação pacífica perante nós mesmos, os outros e as adversidades.

Boa conversa à mesa.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

rlg reportagem

 
No dia 4 de fevereiro pelas 20h30min os alunos juntaram-se ao portão da escola, acompanhados de vários professores, para seguir de autocarro para o Teatro Joaquim Benite, em Almada, cedido pela Câmara Municipal.
Ao chegar ao edifício, os alunos receberam os bilhetes para a peça «Kilimanjaro», baseada no conto “As neves de Kilimanjaro” de Ernest Hemingway.
Antes de entrarem para a sala de espetáculo, os jovens tiveram oportunidade de tirar fotos e de ir até ao bar.
Foram duas horas de representação que agradou ao público jovem. O que acharam mais curioso foi o sentido de humor em várias cenas e a atitude dos atores ao representarem as suas personagens, como aquele rapazito africano ao serviço de Harry, o protagonista da história, logo no início da peça.
Em «Kilimanjaro», Harry está a morrer de gangrena. A sua perna apodreceu e os abutres aterram bem perto do seu acampamento em África. A seu lado, Helen, uma mulher rica, de meia-idade, sustenta a vida que permite a Harry esquecer-se de que não está a escrever.
A dramaturgia e a encenação foram da responsabilidade do diretor artístico do teatro Joaquim Benite, Rodrigo Francisco.
Os alunos gostaram também do cenário, da sonoplastia e do guarda-roupa. E da interpretação, claro! Foram a comentar a peça na viagem de regresso.
Beatriz Brito, Carlos Bruçó, Diogo Martinho, Flávia Fonseca (9ºA)