- Festejas a Páscoa?
- Dentro do possível. Eu considero-me uma pessoa religiosa. E tenho uma cultura familiar que procuro respeitar. Mas não preciso de uma determinada confissão religiosa para vivenciar o fenómeno religioso.
- Há pessoas religiosas e pessoas não religiosas.
- Sim. E mesmo assim há pessoas não religiosas, que um dia descobrem que o são. Ou vice-versa. A vida é dinâmica.
- Achas que há em todos nós uma consciência espiritual? Mesmo os cientistas mais pragmáticos?
- Sim, acho. Porque tudo também depende do rigor dos conceitos. E a espiritualidade é o reconhecimento do ser humano da dimensão transcendente da existência.
- Tipo espiritualidade sem Deus?
- Sim. Há tantos cientistas abertos à experiência para além do intelecto.
- Agora que falamos neste assunto, estou a pensar na saúde humana. Até que ponto as pessoas já há muito não perceberam a importância do bem-estar físico associado também à espiritualidade?
- É mesmo. A própria Organização Mundial de Saúde tem dado passos no sentido da compreensão multidimensional da nossa saúde. Isto inclui a espiritualidade. A interculturalidade tem sido fundamental para estas investigações.
- Olha, eu próprio já algum tempo que faço ioga, dou uns passeios meditativos, procuro uma alimentação mais equilibrada... Comecei a ler umas coisas sobre isto...
- Há sempre algo que nos faz despertar. Esse é o teu percurso multidimensional. Que afinal todos vamos fazendo, ditado pela consciência individual e grupal.
- Mas posso ser espiritual sem ser religioso?
- Sim. Embora o nosso mundo tenha uma dimensão religiosa muito determinante no nosso caráter. Podemos negar a fé no nosso dia-a-dia, mas há sempre um resquício de fé num momento ou num sentimento. Que tipo de fé? Isso já é conversa para depois do convívio familiar de domingo. Vais ter gente em casa?
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